Lisboa, 24 jul (EFE).- O presidente venezuelano, Hugo Chávez, completou hoje sua visita a Portugal, onde assinou vários acordos, dando novas mostras de uma melhor sintonia com políticos europeus do que com os dos Estados Unidos, sobre os quais demonstrou mais uma vez seu receio.

Chávez, que amanhã concluirá na Espanha uma viagem européia com escalas na Rússia e em Belarus, assinou com o Governo de Portugal vários acordos econômicos de aproximadamente US$ 750 milhões.

O dirigente latino-americano manteve em Lisboa o caráter eminentemente econômico de sua viagem, depois de ter selado na Rússia a compra de material militar e ter cedido a Belarus a exploração de novas jazidas de petróleo venezuelanas.

O petróleo foi um dos protagonistas da visita a Lisboa de Chávez, na qual foi firmado um acordo para ampliar uma aliança entre a companhia lusa Galp Energia e a estatal Petróleos da Venezuela S. A.

(PDVSA), que pode propiciar projetos conjuntos na Europa.

Os elogios de Chávez ao primeiro-ministro português, o socialista José Sócrates, e ao ex-presidente luso Mário Soares contrastaram com o receio manifestado em relação ao candidato democrata à Presidência americana, Barack Obama.

Chávez se mostrou cético sobre a mudança de rumo que pode supor uma vitória do candidato democrata nas eleições americanas.

Em declarações à imprensa, deixou claro que não há "muitas ilusões" com nenhum dos candidatos, sobre os quais adiantou que não quer com eles nem "guerra, nem pleitos, nem batalhas".

No entanto, pediu aos políticos norte-americanos que prestem mais atenção na situação da América Latina e da "revolução necessária" vivida em uma região caracterizada, em sua opinião, por ser pacífica e ter como objetivo a superação das desigualdades.

Considerou também que essa região deve se transformar em um novo pólo mundial, para deixar para trás o modelo unipolar com os EUA como líder hegemônico e passar para um sistema multilateral mais justo.

Chávez assegurou que vai continuar a política mantida nos cerca de dez anos em que esteve no poder, apesar das falsidades e do que chama de "guerra midiática planejada" contra seu Governo, em referência à notícia de que seria instalada uma base russa na Venezuela.

Ao longo de sua visita a Portugal, além de ampliar os acordos econômicos e de cooperação, Chávez elogiou a comunidade portuguesa estabelecida na Venezuela e chamou a relação que existe entre ambos os países de "especial".

Durante a reunião entre Chávez e o primeiro-ministro luso, foram assinados vários convênios, entre eles contratos com empresas portuguesas para modernizar o porto da Guaira, próximo a Caracas, e outro para construir a represa de Dos Bocas e as obras auxiliares que abastecerão as cidades venezuelanas de Barquisimeto e Acarigua.

Os acordos incluem, além disso, o fornecimento para a Venezuela de remédios fabricados em Portugal e diversos contratos de serviços de telecomunicações e informática assim como a construção de casas sociais na Venezuela.

Sócrates e Chávez voltaram a se encontrar hoje perante a estátua de Simón Bolívar, situada em uma das principais avenidas de Lisboa, por ocasião da comemoração do nascimento do revolucionário venezuelano.

Na cerimônia, em que os espectadores aplaudiram Chávez, estiveram presentes ministros dos dois países, o ex-presidente Soares e vários diplomatas latino-americanos, assim como diversos empresários. EFE abm/bm/rr

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