Chávez manobra para estatizar sistema de transportes

O presidente Hugo Chávez anunciou nesta quarta-feira a criação de um organismo para administrar o sistema nacional de transportes, que estimulará a criação de empresas estatais para substituir as companhias privadas.

AFP |

Durante uma reunião com deputados e governadores governistas, Chávez assinou um decreto criando a Corporação Bolivariana Socialista de Serviços Públicos, entidade que controlará "todas as empresas de transporte do Estado", explicou.

O presidente disse ainda que incentivará a fundação de companhias sustentadas pelo governo federal, estadual e municipal para eliminar "os intermediários" e obter mais recursos.

"Aí está uma das maiores oportunidades para que a renda nacional petroleira e não petroleira seja distribuída de maneira equitativa", argumentou Chávez, garantindo que cortará relações com empresários privados que não compartilhem das idéias de sua administração.

"Ficaremos, na esfera privada, trabalhando unicamente com os empresários honestos e transparentes que quiserem bem ao povo e apoiarem de verdade este processo", acrescentou.

Além disso, o presidente pediu à estatal Petróleos da Venezuela (PDVSA) que desenvolva, no âmbito desta nova corporação, consórcios que substituam as empresas privadas encarregadas da manutenção de poços de petróleo.

"A PDVSA continua contratando empresas internacionais de serviços e empresas privadas nacionais que prestam serviços, por exemplo, aos poços. Quem fica com o grande lucro? Os empresários", atacou o presidente venezuelano, afirmando que no estado de Zulia (noroeste) funcionam companhias que financiam atividades "contra-revolucionárias".

"Lá no Lago de Maracaibo temos alguns empresários, a maioria adversários da revolução, que financiam atividades contra-revolucionárias com o dinheiro que pagamos. Essa gente parou e sabotou a empresa petroleira, e nós continuamos fechando contratos com eles. Até quando?" - perguntou.

Entre dezembro de 2002 e fevereiro de 2003, dirigentes opositores e funcionários da PDVSA organizaram uma greve de 63 dias que, segundo Chávez, tinha como objetivo derrubá-lo.

axm/ap/LR

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