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Chávez leva ao presidente da Belarus uma saudação do eixo do mal

O presidente venezuelano, Hugo Chávez, oferceu nesta terça-feira ao presidente da Belarus, Alexandre Lukachenko, a saudação do eixo do mal por ocasião do encontro que mantiveram em Minsk numa viagem que já o levou à Líbia, Argélia e Irã, e terminará com visita à Rússia e Espanha.

AFP |

"Eu te trago uma saudação do 'eixo do mal', de seus dirigentes de Cuba, Argélia, Líbia e Turcomenistão", declarou Chávez no início do encontro.

No poder desde 1994, Lukachenko foi chamado de o "último ditador da Europa" pelo governo de George W. Bush, que também introduziu o conceito de 'eixo do mal' para designar os países suspeitos de ter armas de destruição em massa e apoiar o terrorismo, constituído pelo Iraque, Irã e Coreia do Norte.

"Te trago uma saudação de (Silvio) Berlusconi", acrescentou Chávez referindo-se ao primeiro-ministro italiano.

"Mas Berlusconi não faz parte agora do eixo do mal", ressaltou Lukachenko.

Proposta

Chávez também conversou com seu principal aliado na Europa sobre uma troca de matérias-primas pela transferência de tecnologia industrial.

"Daremos passos adiante, nossa cooperação se fortalecerá e se abrirão novos horizontes. Não há fronteiras para nossa integração", assegurou Chávez durante uma reunião em Minsk com Lukashenko.

Em sua quarta visita à última economia planificada do continente europeu, o presidente venezuelano propôs o fornecimento de matérias-primas - alumínio, ferro e produtos petroquímicos - por via marítima em troca de carros, caminhões e peças de reposição.

"A Venezuela tem montadoras de automóveis. Manufaturaremos todos os caminhões de que precisamos e os exportaremos para o Caribe e a América do Sul", disse Chávez durante sua visita à MAZ, a fábrica estatal bielorrussa de veículos civis e militares, informou a agência oficial "Belta".

Acordo

O acordo beneficiaria ambos os países, já que Minsk vê na Venezuela a alternativa energética ideal à Rússia, cuja decisão de deixar de subsidiar sua economia com hidrocarbonetos a preços preferenciais ameaça a estabilidade de sua economia.

Da mesma forma que no caso de outros países amigos na América Latina, Chávez decidiu dar um tratamento especial a Lukashenko.

A cooperação também seria produtiva para Caracas, que poderá se beneficiar da transferência da tecnologia de fabricação de equipamento industrial, setor no qual a Venezuela está muito atrasada, ao contrário de Belarus.

"Isso ajudará a romper as barreiras entre as economias de ambos os países", afirmou Chávez, que chegou a Minsk, nesta terça-feira, procedente da Itália dentro de uma longa viagem pelo exterior de quase duas semanas.

Por sua vez, Lukashenko agradeceu a Chávez pela ajuda financeira e pelo acesso às ricas reservas de petróleo do país sul-americano.

"Que nossa companhia petrolífera mista opere com sucesso e obtenha lucro", em referência às atividades da Petrolera BeloVenezolana (PBV) na Faixa do Orinoco.

"Estamos em dívida contigo e com o povo venezuelano. Para nós, todos os teus pedidos e propostas são leis", disse Lukashenko, que visitou a Venezuela em 2007.

Durante sua visita anterior à Belarus, em julho de 2008, o presidente venezuelano cedeu a Lukashenko a exploração de novas jazidas de petróleo no Orinoco.

Exportações

Entre janeiro e junho deste ano, as exportações bielorrussas à Venezuela se duplicaram em relação ao primeiro semestre de 2008, enquanto as exportações venezuelanas se limitam quase exclusivamente ao café, segundo a "Belta". Ambos os países assinaram 70 convênios nos últimos quatro anos.

No plano político, Chávez e Lukashenko compartilham suas visões contra o imperialismo e o capitalismo americano, embora ultimamente Belarus tenha começado a estender pontes com a União Europeia, que suspendeu provisoriamente suas sanções em troca de reformas democráticas.

Na quarta-feira, Chávez prossegue sua viagem na Rússia, onde selará vários acordos de cooperação energética, mas não militares, como se previa, segundo anunciou o Kremlin, nesta terça.


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