Chávez lança campanha para reeleição indefinida

O presidente da Venezuela Hugo Chávez disse que pretende permanecer no poder até pelo menos 2019 e autorizou seus partidários a iniciar a campanha para promover a reforma constitucional que permitirá a reeleição presidencial.

BBC Brasil |

O projeto de reforma constitucional, que incluía a reeleição à Presidência por período indefinido, foi barrado nas urnas no referendo do ano passado, quando Chávez pretendia estabelecer as bases para a consolidação do "socialismo do século 21".

"Não há chavismo sem Chávez", afirmou o presidente diante de milhares de simpatizantes reunidos em Caracas durante um ato de proclamação do novo prefeito de um dos municípios da capital.

Quando saiu derrotado do referendo, o mandatário disse que não se candidataria à reeleição, mas neste domingo ele afirmou que a vitória da oposição em alguns governos e prefeituras nas eleições regionais do domingo passado o levaram a mudar de idéia.

"Vendo mais claramente as ameaças que se aproximam do povo venezuelano com estes fascistas que porque ganharam governos estaduais e prefeituras (...) iniciaram uma campanha contra o povo, eu digo que vocês têm razão, Chávez não se vai", afirmou o mandatário.

"Chávez não se vai, Chávez fica (...) dou minha autorização ao Partido Socialista Unido da Venezuela, ao povo venezuelano, para que iniciem o debate e as ações para alcançar a emenda constitucional para a reeleição do presidente da República", afirmou.

Período indefinido

Pouco antes de anunciar a proposta, o presidente venezuelano leu um relatório que enumerava atos de violência de opositores contra os médicos cubanos que atuam no país e contra os programas sociais que são o carro-chefe das políticas do governo.

"Vamos conseguir (a reforma), para mostrar quem manda na Venezuela", disse o líder, ovacionado pelo coro de seus simpatizantes que gritavam "Uh, ah, Chávez não se vai".

Reeleito em 2006, Chávez teria de deixar o governo em 2013, já que a atual Constituição prevê apenas uma reeleição.

Com a reforma constitucional, o período para a reeleição presidencial seria indefinido e Chávez poderia se disponibilizar, sem limites de candidaturas, à reeleição para a Presidência da República.

"Se Deus quiser e me dar vida e saúde estou pronto para estar com vocês até 2019 até o 2021", afirmou.

Proposta arriscada

Analistas ouvidos pela BBC Brasil nesta semana, avaliaram que a proposta de reeleição é arriscada, já que Chávez não obteve a ampla maioria que pretendia nas eleições, fator que lhe favoreceria a vencer o referendo para a reeleição.

O governo mantêm o poder em 17 dos 22 Estados do país e em 76% das prefeituras da Venezuela.

A oposição, por sua vez, venceu nos Estados considerados mais importantes economicamente e com maior população, fatores que desfavorecem o governo.

Apesar disso, o governo recuperou nas últimas eleições regionais mais de 1,3 milhão de votos em relação ao referendo do ano passado, em que Chávez não conseguiu atrair mais de 4,2 milhões de eleitores às urnas.

Na avaliação da historiadora Margarita López Maya, estes votos são o "troféu" que poderia levar o governo a arriscar um referendo para a reeleição.

"É uma aposta arriscada, mas o governo tem como apostar porque conta com o apoio do Parlamento", afirmou López Maya.

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