Chávez insiste em que EUA aproveitam terremoto para tomar Haiti militarmente

Caracas, 20 jan (EFE).- O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, disse mais uma vez hoje que o Governo dos Estados Unidos está aproveitando a tragédia humanitária provocada pelo terremoto no Haiti para tomar militarmente essa nação caribenha.

EFE |

"O império é terrível", ressaltou Chávez em um discurso televisionado após sustentar que pelo menos cinco mil soldados americanos chegaram ao Haiti após o terremoto que atingiu o país há oito dias. "E não sei quantos mais vão mandar", acrescentou.

"Já tomaram até o Palácio de Governo" da capital haitiana, Porto Príncipe, e estão "atirando nos saqueadores, não sei quantos mataram", disse o presidente venezuelano.

Chávez pediu que Washington mude seu comportamento e envie "mais médicos" ao Haiti.

"Cuba enviou mais médicos ao Haiti do que os EUA", assegurou Chávez, ao dizer que o ex-líder cubano Fidel Castro pediu que cada habitante do continente americano se pergunte "por que Haiti está nessa miséria tão espantosa".

O presidente venezuelano disse que os EUA tentaram fazer o mesmo na Venezuela em 1999, quando uma temporada de chuvas provocou deslizamentos nas colinas que cercam Caracas, deixando quase 25 mil mortos.

Nesta época, Chávez completava um ano como presidente.

Poucos dias depois, os EUA enviaram à Venezuela "navios com mais de mil fuzileiros navais. Quando eu soube disso, ordenei que fossem barrados", disse em referência a uma denúncia que vem repetindo periodicamente desde então.

A unicameral Assembleia Nacional (AN) venezuelana aprovou ontem um acordo de rejeição à "intervenção militar dos EUA no Haiti depois do terremoto".

O terremoto de 7 graus na escala Richter aconteceu às 19h53 (Brasília) do dia 12 e teve epicentro a 15 quilômetros da capital haitiana, Porto Príncipe. Segundo declarações à Agência Efe, o primeiro-ministro do Haiti, Jean Max Bellerive, acredita que o número de mortos superará 100 mil.

O Exército brasileiro informou que 18 militares do país que participavam da Missão de Estabilização das Nações Unidas no Haiti (Minustah) morreram em consequência do terremoto.

Entre os civis - além da médica Zilda Arns, fundadora e coordenadora da Pastoral da Criança, e de Luiz Carlos da Costa, o segundo civil mais importante na hierarquia da ONU no Haiti -, foi informado hoje que outra mulher também morreu no tremor, aumentando para 21 o número total de vítimas brasileiras. EFE ar/bba

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