Chávez inicia ofensiva para mostrar vigor de revolução socialista

Caracas, 31 ago (EFE).- O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, inicia hoje uma viagem por Líbia, Argélia, Síria, Irã, Belarus e Rússia, países em que, segundo analistas locais, tentará demonstrar que tem aliados duros e que continuará aprofundando sua revolução.

EFE |

Segundo declarações de Chávez feitas neste domingo, a viagem a essas seis nações, nas quais ele esteve entre duas e sete vezes na última década, além de ter objetivos "geopolíticos e econômicos", deixa clara "a grande dinâmica em que entrou a política externa pluripolar" de seu Governo socialista.

O reforço da cooperação tecnológica, energética, militar e financeira é o foco dos acordos que serão assinados em cada um dos países visitados, destaca uma nota do Executivo venezuelano.

De acordo com a internacionalista venezuelana María Luisa Romero, com as visitas a Estados que a comunidade internacional enxerga como democraticamente desviados, Chávez envia a mensagem de que "tem aliados duros" e que "não recuará em sua 'revolução'".

Em entrevista à Agência Efe, Romero disse que o chefe de Estado venezuelano sabe que a suposta "expansão" de seu projeto na região "é limitada".

Os novos Governos de esquerda estão se aliando com a ala "moderada" dessa tendência, que seria representada pelo Brasil, e não com a "radical", que seria a venezuelana, declarou a professora universitária.

Chávez também enfrenta o tom "moderado" do presidente americano, Barack Obama, o que, segundo a acadêmica, estaria ajudando a controlar o incêndio que o presidente da Venezuela tenta pôr na região.

Diante dessa situação, Chávez "tenta provocar" falando da guerra que o novo acordo militar entre Colômbia e Estados Unidos poderia provocar. Paralelamente, promove sua nova viagem dizendo que esta é "importante" para "acelerar os planos de cooperação com aliados estratégicos".

Quando anunciou um novo giro pelo mundo em 15 de agosto, Chávez afirmou que, "agora" que a Venezuela se encontra "na mira do império (americano)", "há razões de muito mais peso para acelerar os planos de cooperação estratégica com os países aliados".

Venezuela e Colômbia compartilham 2.219 quilômetros de fronteira terrestre. Chávez insiste que o novo acordo militar entre Bogotá e Washington, que prevê o uso de sete bases colombianas por tropas americanas, é uma "ameaça" para a "revolução" que promove há uma década.

De acordo com o cronograma oficial, o presidente venezuelano chegará à Líbia amanhã. No dia seguinte, seguirá para a Argélia.

Ambos os países, junto com o Irã, são sócios da Venezuela na Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep).

Já em 3 e 4 de setembro, o governante fará sua segunda visita oficial à Síria, ao passo que, no dia seguinte, viajará pela oitava vez ao Irã, onde ficará até o dia 6.

Belarus, em 7 e 8 de setembro, e Rússia, no dia 10, serão as próximas paradas do presidente venezuelano, que ontem disse que, em Moscou, se reunirá com seus "irmãos" Dmitri Medvedev e Vladimir Putin, chefe de Estado e primeiro-ministro russos, respectivamente, para "continuar fortalecendo a aliança estratégica" bilateral.

Essa aliança tem o petróleo como um dos "temas de maior importância", disse Chávez, uma vez que Venezuela e Rússia são "grandes produtores de petróleo".

Hoje, Caracas informou que Venezuela e Rússia "avançam" nas negociações para explorar conjuntamente uma jazida na Faixa de Orinoco, projeto que envolve "um investimento superior a US$ 20 bilhões".

Na Rússia, está previsto que Chávez assine acordos que o vice-presidente venezuelano, Ramón Carrizales, e o vice-primeiro-ministro russo, Igor Sechin, prepararam em conjunto em meados de agosto.

Chávez já disse que pretende comprar da Rússia tanques e outros armamentos militares. A aquisição de material bélico teria como fim "aumentar a capacidade operacional" do Exército e os "sistemas de defesa antiaérea".

Nos últimos quatro anos, segundo fontes russas, o Governo venezuelano gastou mais de US$ 3 bilhões para comprar 24 caças-bombardeiros Sukhoi-30, cerca de 50 helicópteros MI-17, M-26 e M-35, e 100.000 fuzis AK. EFE gf/sc

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