Chávez incentiva Rússia a acelerar cooperação política, militar e econômica

RÚSSIA - O presidente venezuelano, Hugo Chávez, estimulou hoje a Rússia a acelerar a cooperação nos âmbitos político, militar e econômico, pressionados tanto pela nova dinâmica geopolítica no mundo quanto pela crise financeira.

EFE |

A rapidez marcou esta visita, a sétima que Chávez realiza à Rússia desde 2001, e a segunda em menos de três meses. Poucos minutos após aterrissar em Orenburgo, Medvedev recebeu o presidente venezuelano na sede do Governo regional, um edifício da época stalinista que serve de pano de fundo para a enorme estátua de Lênin que continua coroando a praça central. "Querido Hugo".

Foi com estas palavras que Medvedev iniciou a reunião de pouco mais de uma hora, após a qual seu hóspede, sem falar com a imprensa, seguiu rapidamente ao aeroporto para não se atrasar para o encontro, em Paris, com o presidente francês, Nicolas Sarkozy.

Quase da mesma forma, o presidente venezuelano - que nesta visita de menos de 24 horas se reuniu na quinta, em Moscou, com o primeiro-ministro russo, Vladimir Putin , e hoje com Medvedev - pressionou ambos a estreitarem a cooperação política, militar e econômica.


Medvedev e Chávez durante encontro / AP

Na quinta-feira à noite, durante reunião com Putin, Chávez recorreu a uma frase do libertador Simón Bolivar: "O mundo avançará muito rápido. Se nossos países não avançarem da mesma forma, simplesmente vão afundar. Nossa dinâmica nos permitirá, ao contrário, subir à superfície".

Hoje, diante de Medvedev, voltou a insistir em que "o mundo gira mais rapidamente".

"Estamos diante de uma nova dinâmica geopolítica e, por isso, andamos rápido", disse Chávez no início da reunião de aproximadamente uma hora realizada com Medvedev nesta cidade, ao sul dos montes Urais, fronteira com o Cazaquistão.

Nesta nova situação, marcada pela crise do Cáucaso, na qual o presidente venezuelano reiterou seu "modesto, mas pleno apoio moral à Rússia", ambas as partes se agradeceram mutuamente pela recente visita à Venezuela de bombardeiros estratégicos supersônicos russos Tu-160 ("Blackjack").

"Embora ao norte (em alusão aos Estados Unidos) digam que são aviões velhos, ficamos maravilhados com a tecnologia dos Tu-160", disse Chávez.

Parcerias

Os dois presidentes também lembraram os inéditos exercícios navais conjuntos que os dois países se propõem a realizar no Caribe no final de novembro.

Com esse objetivo, um grupo de navios russos, liderados pela embarcação insígnia da Marinha, o grande cruzeiro nuclear "Piotr Veliki", navega em direção à Venezuela.

Putin antecipou ontem à noite a disposição da Rússia de promover a cooperação militar com a Venezuela, que, a partir de 2005, superou US$ 4,4 bilhões e que foi reforçada agora com um crédito russo de US$ 1 bilhão para a aquisição de armamento.

No marco de 12 contratos, a Rússia já forneceu para a Venezuela 24 aviões caças-bombardeiros, 50 helicópteros e outro material de guerra, enquanto o presidente venezuelano não esconde seu interesse por sistemas antiaéreos, carros de combate e submarinos.

Outra razão para acelerar a cooperação é a "brutal crise financeira nos EUA e em outros lugares do mundo", segundo Chávez.

Rússia e Venezuela elaboraram mecanismos que lhes permitem não serem "impactados por essa crise", acrescentou.

"Acho que, felizmente, estamos à frente da crise. Avancemos, presidente, e (a crise) não vai nos alcançar", disse Chávez.

O comércio entre os dois países dobrou no ano passado e alcançou US$ 1.129 bilhão, segundo a Rússia, que, ao contrário da Venezuela, inclui neste número a cooperação militar.

Hoje, as partes apresentaram dois memorandos de entendimento sobre esta cooperação.

O presidente da empresa russa Gazprom, Alexei Miller, e o ministro da Energia e Petróleo da Venezuela, Rafael Ramírez, assinaram um memorando de identificação de oportunidades de negócio entre a Gazprom Latin America e a Petróleos de Venezuela S.A. (PDVSA).

Também na presença de Medvedev e Chávez, o ministro da Energia da Rússia, Sergey Shmatko, e Ramírez assinaram um memorando de entendimento para "proceder a elaboração de um convênio complementar especial".

A sensacional proposta de Putin de ajudar a Venezuela no desenvolvimento da energia nuclear e a idéia que Chávez proclama com insistência de criar um banco conjunto ficaram para outra ocasião, talvez para a próxima visita de Medvedev à Venezuela, que poderá acontecer já em novembro.

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