Chávez faz discurso mais ameno na ONU e reduz críticas aos EUA

Pilar Valero. Nações Unidas, 24 set (EFE).- O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, foi hoje um dos principais destaques na Assembleia Geral da ONU, onde ao discursar disse que já não cheira a enxofre, mas a esperança.

EFE |

Chávez aludia assim às expectativas geradas pelo primeiro discurso nesse fórum do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, no qual defendeu recuperar o multilateralismo e iniciar uma "nova era" de cooperação sobre conflitos mundiais.

A defesa do multilateralismo e de uma reforma que torne mais democráticas as instituições internacionais foi o eixo principal dos discursos dos dirigentes de 192 países convocados esta semana em Nova York.

Os países latino-americanos se uniram na reivindicação de uma nova divisão de poder que leve mais em conta os países em desenvolvimento em organismos como o Fundo Monetário Internacional (FMI), o Banco Mundial e o Conselho de Segurança da ONU.

Chávez retornou hoje ao fórum mundial de debate das Nações Unidas com um discurso mais moderado para os EUA que em 2006, quando disse que a tribuna cheirava a enxofre após a passagem do então presidente George W. Bush, a quem chamou também de "diabo".

O presidente venezuelano, no entanto, voltou a insinuar que Obama tem duas caras, ao dizer que há "dois Obamas", um do discurso na ONU, e outro que utilizará sete bases militares na Colômbia.

Chávez, com sua retórica apaixonada e que em algumas ocasiões levantou aplausos, pediu que o Governo dos EUA reconheça o peso geopolítico e a soberania dos diferentes blocos, entre eles o da América Latina.

Em seu discurso, o presidente da Costa Rica, Óscar Arias, denunciou que os países da América Latina gastam US$ 60 bilhões anuais em armas para "combater inimigos imaginários".

"Os exércitos de nossa região receberam quase US$ 60 bilhões para combater inimigos imaginários, enquanto nossas povoações lutavam contra a crise com as mãos vazias", denunciou o Nobel da Paz de 1987.

A crise de Honduras foi citada na tribuna da ONU por todos os presidentes latino-americanos, que reivindicaram a volta ao poder do deposto Manuel Zelaya, refugiado agora na Embaixada do Brasil em Tegucigalpa.

O Conselho de Segurança da ONU terá amanhã uma reunião a portas fechadas, pedida pelo Brasil, para tratar a situação em Honduras, como disseram à Agência Efe fontes diplomáticas americanas.

Arias lamentou que "uma nação centro-americana tenha visto despertar de novo o demônio de um golpe de Estado", e advertiu que a região corre o risco de "um retrocesso".

O presidente da República Dominicana, Leonel Fernández, disse hoje à Agência Efe que a condenação unânime ao golpe de Estado em Honduras e a exigência na volta da ordem constitucional "não é só por esse país, mas por toda a região".

Para o presidente do Panamá, Ricardo Martinelli, o Acordo de San José "constitui a melhor fórmula para que se forme um Governo de unidade, que presida as novas eleições e garanta o retorno à democracia de maneira pacífica".

A violenta ruptura do processo constitucional de Honduras constitui "um fator de retrocesso tremendo", afirmou, por sua vez, o presidente do Paraguai, Fernando Lugo.

Ao rejeitar o bloqueio comercial que os EUA aplicam a Cuba, Lugo defendeu "um novo olhar que rompa com o passado de polaridades intransigentes".

O presidente da Guatemala, Álvaro Colom, também lembrou a situação de emergência humanitária vivida em seu país. EFE vai/rr

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