Chávez estatiza 60 empresas ligadas à produção de petróleo

O governo da Venezuela estatizou, nesta sexta-feira, 60 empresas que prestam serviços à indústria petroleira, depois da promulgação de uma lei que dá ao Estado o direito de controlar total ou parcialmente bens e serviços relacionados à atividade. A estatização das companhias foi oficializada em um ato comandado pelo presidente venezuelano, Hugo Chávez, no Lago de Maracaibo, Estado de Zulia, um dos principais polos de produção petrolífera do país.

BBC Brasil |

"O povo e os trabalhadores vão demonstrar como agora seremos mais eficientes na administração de nossa indústria (petroleira) e dos serviços relacionados a ela", disse Chávez. Na lista de bens expropriados pelo governo venezuelano estão 300 embarcações e 39 terminais utilizados na produção petrolífera.

Além disso, cerca de 8 mil trabalhadores dessas empresas se tornaram agora funcionários do Estado.

Segundo Chávez, o governo venezuelano economizará cerca de US$ 700 milhões por ano ao administrar diretamente estes serviços relacionados à produção de petróleo.

"Aqui nesta zona, produzir um barril de petróleo custa quase US$ 8. Quase metade disso, 40%, ia para empresas contratadas", afirmou.

O presidente venezuelano ainda prometeu que o dinheiro economizado com a estatização das prestadoras de serviço será entregue aos chamados conselhos comunais, organismos de participação popular patrocinados por seu governo.

"Socialismo"

Em um discurso onde, por diversas vezes, criticou o capitalismo e exaltou o socialismo, Chávez afirmou que a estatização das empresas terceirizadas fará com que elas se tornem "propriedade do povo".

"Isto se chama socialismo. Isto vai permitir que nós os libertemos da exploração capitalista", afirmou Chávez a um grupo de trabalhadores, enquanto visitava uma das embarcações estatizadas.

Segundo o ministro do Petróleo da Venezuela, Rafael Ramirez, 85% das instalações e atividades primárias da exploração petroleira estão sujeitas à estatização com a nova lei, que foi aprovada na última quinta-feira pela Assembleia Nacional.

O ministro afirmou ainda que algumas empresas tentaram "burlar a lei, levando rebocadores e lanchas". Segundo ele, foi usada força militar para impedir que essas empresas evitassem a estatização de seus bens.

Ramirez também afirmou que as empresas contratadas não estavam cumprindo suas obrigações trabalhistas.

A estatização dos serviços petroleiros faz parte dos planos do governo Chávez de controlar todos os setores que considera estratégicos para o desenvolvimento do país.

Alguns analistas, no entanto, afirmam que esta também pode ser uma estratégia para não saldar as dívidas do governo com algumas dessas empresas.

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