Chávez está certo de sua vitória no referendo de domingo

O presidente venezuelano Hugo Chávez se mostrou convicto de uma vitória histórica no referendo deste domingo sobre uma emenda constitucional que garantirá sua eleição por tempo indefinido e assegurou que seus opositores têm medo do avanço de seu governo e basearam sua campanha em mentiras sobre sua pessoa.

AFP |

"Tenho uma fé enorme em relação ao resultado de domingo. No triunfo do povo, da Constituição. Eu me envolvi nessa campanha, nas ruas, no comando do exército popular. Minha certeza na vitória é infinitamente maior do que em 1o. de dezembro de 2007", assegurou o presidente falando à imprensa estrangeira e se referindo à derrota que sofreu naquele ano em um referendo sobre uma ampla reforma da Constituição, que também incluía o mandato presidencial sem limite de mandatos.

O presidente assegura basear seu otimismo no "júbilo" que sentiu entre os cidadãos e em diversas pesquisas de opinião. Segundo os últimos datos consultados pela AFP, o "sim" à emenda registra uma leve vantagem, mas ainda há uma boa porcentagem de indecisos.

Chávez afirmou que se a emenda constitucional for aprovada, ele terá "a perspectiva aberta até além de 2013", quando poderá iniciar um terceiro mandato de seis anos, algo que, neste momento, não é autorizado pela Carta Magna.

"Esta emenda dará ao governo mais força para o que estamos fazendo, mais perspectiva. Diminuirá as incertezas políticas e isso não é o que a oposição quer: eles querem manter o país numa incerteza", acusa.

Ele denunciou a campanha da oposição, que "é má perdedora", e se lançou numa campanha de mentiras a seu respeito.

"Criaram um Chávez que não sou eu. Um Chávez assassino, antissemita, tirano, louco. Esse não sou eu. Também há uma revolução boliviana real e outra que eles criaram, que apoia a guerrilha, o narcotráfico", denunciou.

Segundo Chávez, seus adversários políticos, com seus "apoios externos", querem minimizar o impacto da revolução bolivariana e prejudicá-la através de uma rejeição à emenda.

"Dez anos não é nada. Não sei por que se queixam", afirmou, referindo-se a sua primeira década no poder e citando como exemplos de dirigentes que ficaram muito tempo em seus cargos o ex-chefe de Governo espanhol, Felipe González, ou os presidentes franceses Jacques Chirac e François Miterrand.

"Lá não dizem nada. Só aqui na Venezuela que isso é uma ditadura", ironizou.

O presidente refutou as críticas nacionais e internacionais que o reprovam por seu desejo de continuar no poder e citou mensagens de apoio que recebeu de seu pai espiritual, o líder cubano Fidel Castro, do ex-presidente argentino, Néstor Kirchner, e do presidente boliviano Evo Morales.

"Esta é uma pequena emenda, mas com grandes repercussões positivas, não apenas neste país. Este debate rasgou o véu da hipocresia na Venezuela", declarou.

Chávez insistiu que o "desespero" da oposição pode fazer com que "o triunfo do povo neste domingo seja desconhecido".

"Estão se preparando para lançar, atrás de um grito de fraude, qualquer plano violento. Eu denuncio isso ante o mundo e recomendo que não se atrevam a fazê-lo porque estamos prontos para neutralizá-los", advertiu, embora tenha se declarado disposto a aceitar um resultado adverso.

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