Chávez e Uribe têm discussão acalorada em cúpula do Grupo do Rio

Por Luis Jaime Acosta PLAYA DEL CARMEN, México (Reuters) - Os presidentes de Colômbia e Venezuela discutiram de forma acalorada na segunda-feira durante cúpula de presidentes da América Latina e do Caribe, num incidente que deixou evidente a existência de rachas na região, apesar da busca por unidade.

Reuters |

Durante encontro do Grupo do Rio, o colombiano Álvaro Uribe reclamou ao venezuelano Hugo Chávez de sua decisão de impor um embargo comercial à Colômbia, ao que o presidente venezuelano respondeu afirmando existir um plano vindo do território colombiano para assassiná-lo, o que o colombiano negou.

"Quando subiu o tom da discussão, Chávez ameaçou deixar a reunião, e o presidente Uribe lhe disse: 'Seja homem e fique para discutir de frente, você que só ofende à distância'", disse à Reuters uma fonte da Presidência colombiana.

O incidente foi confirmado por um presidente presente na reunião, que pediu para não ter seu nome revelado.

Nos últimos meses, Chávez chamou Uribe de "mafioso", "paramilitar" e "lacaio do império". O presidente colombiano tem evitado responder às agressões verbais.

A crise surgiu em julho, após a decisão de Uribe, principal aliado dos Estados Unidos na América Latina, de assinar um acordo que dá a militares norte-americanos acesso a sete bases na Colômbia para a realização de operações contra o narcotráfico e o terrorismo.

Chávez, principal crítico dos Estados Unidos na região, afirma que o governo dos Estados Unidos pretende usar as bases colombianas para invadir a Venezuela e derrubá-lo para frear sua revolução socialista em favor dos mais pobres.

O presidente do México, Felipe Calderón, e de Cuba, Raúl Castro, fizeram a mediação entre os dois presidentes para acalmar os ânimos, disseram fontes.

Após a discussão, Chávez saiu da sessão plenária de presidentes, enquanto Uribe ficou reunido com seus colegas, que sugeriram um acordo para evitar futuros incidentes que deteriorem ainda mais as relações bilaterais.

Posteriormente, Uribe, que aceitou a sugestão dos demais presidentes, deixou a sala e Chávez voltou para escutar a proposta que também aceitou.

"Esses países concordaram em conduzir suas diferenças por meio de um diálogo... para o qual se comprometeram a procurar construir as condições que tornem possível o apoio de um grupo de países amigos da Venezuela e da Colômbia", disse Calderón sem mencionar os incidentes.

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