Chávez e Uribe ratificam compromisso de seguir diálogo

Caracas, 14 abr (EFE).- Os presidentes da Venezuela, Hugo Chávez, e da Colômbia, Álvaro Uribe, ratificaram nesta terça o progresso das relações bilaterais com a assinatura de cinco acordos de cooperação e com o compromisso de continuar dialogando.

EFE |

"Estamos condenados a estar juntos, maravilhosamente condenados", afirmou Chávez, após a assinatura dos documentos, ao término da reunião no palácio presidencial de Miraflores, em Caracas.

"Constatamos o avanço e o novo dinamismo que demos a nossa relação", disse o presidente da Venezuela, antes de completar que não vai permitir que essas relações sejam perturbadas por qualquer evento ou circunstância.

Uribe e Chávez, que há um ano estavam envoltos em uma grave crise diplomática derivada do conflito com a guerrilha, se mostraram o tempo todo dispostos a dialogar, e a resolver problemas com "espírito construtivo", como contou o próprio presidente colombiano.

Uribe, da mesma forma que Chávez, destacou os mais de 2 mil quilômetros de fronteira entre seus países, ao mesmo tempo em que citou o destino de "pátria comum" de seus povos e o "afeto" que une as duas nações.

Em coletiva de imprensa após os discursos, o presidente venezuelano considerou, em resposta a uma pergunta, que o plano de segurança implantado por Uribe na Colômbia para enfrentar a guerrilheira "pode marcar uma rota rumo à paz".

"O presidente Uribe apresentou ideias que podem marcar uma rota para a paz. Dificilmente alguém pode dizer que sou inimigo das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia. Não sou seu aliado nem seu protetor e também não seu inimigo. Mas as Farc devem tomar nota disso", afirmou Chávez.

"A Venezuela está pronta para, apesar dos pesares, ajudar nesse esforço necessário de busca da paz, respeitando sempre as decisões soberanas que o Governo colombiano venha a tomar", disse o chefe de Estado venezuelano.

Chávez, que atuou em 2007 como mediador na busca por um acordo humanitário para liberar sequestrados na Colômbia antes de ser desautorizado por Uribe, o que gerou uma forte crise, reiterou seu apoio ao Governo colombiano.

No ato de assinatura dos acordos, Uribe afirmou que seu Governo e o da Venezuela lutarão conjuntamente contra a corrupção nas trocas comerciais bilaterais.

"Vamos trabalhar conjuntamente para que não haja o menor resquício, a menor tentativa de corrupção no comércio exterior entre nossos países", disse o presidente colombiano.

Segundo ele, a decisão foi tomada depois de escutar a "preocupação" expressada por Chávez durante a reunião de várias horas que tiveram nesta terça.

"Temos um presente e um futuro inseparáveis, que nos obriga a trabalhar por esses povos", afirmou também o presidente da Colômbia, cujo país teve em 2008 com a Venezuela uma troca comercial de US$ 7,4 bilhões.

Durante a visita de Uribe, que chegou a Caracas nesta terça e viaja ainda esta noite ao Brasil, foi assinada uma carta de intenção para a constituição de um fundo binacional e outra para uma linha de crédito destinada a impulsionar o comércio.

Foram selados também um memorando de entendimento para levar energia elétrica de Puerto Iniria (Colômbia) a San Fernando de Atabapo (Venezuela), uma licença para que a Venezuela importe dez mil veículos da Colômbia e uma carta de intenção para estudar o uso de moedas locais na troca comercial bilateral.

Em seu discurso após a assinatura, Chávez ressaltou a importância da constituição de um fundo binacional estratégico, que já tinha sido estipulado em Cartagena durante a reunião que ambos os presidentes tiveram em janeiro, dentro do processo de retomada das relações que começou em julho de 2008.

No encontro, se decidiu realizar os estudos técnicos para implementar o mais rápido possível esse fundo, que, com um montante que se calcula beirar US$ 200 milhões, visa a financiar projetos em áreas como transporte, agricultura e infraestrutura.

Além dos planos de cooperação e do já ratificado bom entendimento, Uribe levou do encontro a promessa de Chávez, que lembrou antes de se despedir de presentear o colega com uma "bicicleta atômica", feita em uma fábrica venezuelano-iraniana que já foi alvo de muita controvérsia. EFE eb/rr

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