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Chávez e Uribe dão início a nova etapa nas relações entre os dois países

Depois de meses de crise e troca de acusações, os presidentes da Colômbia e da Venezuela deram início, nesta sexta-feira, a uma nova etapa nas relações entre os dois países. A partir de hoje começa uma nova etapa, disse o venezuelano Hugo Chávez ao final do encontro com o colombiano Álvaro Uribe, na refinaria de Paraguaná, no norte da Venezuela.

BBC Brasil |

"Vamos recuperar o tempo perdido, para enfrentar desafios comuns", disse Chávez, durante entrevista coletiva após o encontro. "Estamos muito felizes que assim seja."
Uribe, que fez a primeira visita à Venezuela desde o início da tensão entre os dois países, há oito meses, afirmou que a reunião com Chávez foi "muito construtiva".

"Somos iguais, somos irmãos na história, no presente e no futuro. O reconhecimento desta realidade facilita tudo", afirmou Uribe.

"Eu diria que (nós), Venezuela e Colômbia, estamos destinados a estar juntos, para sempre", disse Chávez.

Tensão
A tensão entre os dois países começou em novembro passado, quando Uribe pôs fim à mediação de Chávez na busca de um acordo com o grupo rebelde Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) para a libertação de reféns.

O episódio foi seguido por declarações duras por parte dos dois lados.

Chávez chegou a dizer que Uribe dirigia um "narcogoverno", o chamou de "peão do império" e afirmou que "por dignidade" não voltaria a ter nenhum tipo de relação com o presidente colombiano e com seu governo.

No auge da crise, Uribe chamou a Chávez de "imperialista tropical" e o acusou de manter vínculos com as Farc.

Diálogo com guerrilha
Esta visita de Uribe à Venezuela ocorre poucos dias depois do resgate da ex-candidata presidencial colombiana Ingrid Betancourt e de outros 14 reféns das Farc, em uma operação realizada pelo Exército da Colômbia.

Apesar disso, os dois presidentes afirmaram não ter discutido o conflito armado na Colômbia durante a reunião.

Na coletiva, Uribe disse estar disposto a estabelecer um "diálogo direto" com a guerrilha para alcançar um acordo de paz, supervisionado por uma comissão internacional.

"Oxalá houvesse agora um diálogo direto com os grupos guerrilheiros e se fizesse a paz. E pudessemos ter uma comissão internacional que verificasse os acordos", disse Uribe.

Equador
Em referência à crise diplomática com o governo do Equador, Uribe disse "desejar reconstruir as relações o mais rápido possível".

Chávez prometeu ajudar a restabelecer o diálogo entre os governos da Colômbia e do Equador.

Quito rompeu relações diplomáticas com Bogotá, agravando a crise na região andina, depois que o Exército colombiano invadiu o território equatoriano e bombardeou o acampamento das Farc, em 1º de março. No ataque, foi morto o número dois das Farc, Raúl Reyes, e outras 25 pessoas.

O presidente colombiano, que na opinião de analistas está cada vez mais isolado na região devido a sua proximidade com o governo de Washington, disse que sua "grande prioridade agora é reconstruir e aprofundar as relações com governos irmãos".

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