Presidente venezuelano criticou oposição no retorno de Cuba, onde esteve para realizar tratamento de quimioterapia

Ministras do gabinete do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, receberam o líder, que retornou de Cuba na noite de sábado , com violão e músicas nacionalistas no aeroporto de Maiquetía. Chávez chegou a Caracas com roupa militar, boina vermelha e o rosto notavelmente inchado após receber a segunda etapa do tratamento contra o câncer em Havana. Familiares e quase todos os seus ministros foram recepcioná-lo.

Na chegada, o presidente não deixou de alfinetar a oposição, a quem acusou de atacar as Forças Armadas. Chávez disse que em Havana recebeu "a bomba" da quimioterapia e comentou que são "oito horas contínuas" de tratamento, mas que aproveitou esse tempo para pintar um quadro.

"Eu disse a Fidel (Castro) que vou presenteá-lo com o quadro (...) porque coincidiu com seu aniversário. Ainda não o terminei, por isso o trouxe comigo, mas é dele", disse o presidente. No sábado, os dois líderes celebraram juntos a data .

O líder fez um longo discurso aos membros do gabinete presentes, no qual disse que a oposição tem "uma fixação" contra os militares, um tema que incluiu em suas últimas declarações, sempre com um alerta para que "não se intrometam com as Forças Armadas".

Chávez lembrou algumas passagens da história de Simón Bolívar, nos quais o herói da independência venezuelana mandava fuzilar os traidores e a burguesia "entregava" o país aos colonizadores espanhóis. O presidente ressaltou que esteve atento a vários assuntos pendentes e que tinha analisado com o líder cubano a necessidade de fortalecer a Aliança Bolivariana para os Povos da América (Alba), assim como trabalhar na moeda única para a América Latina.

Essa é a segunda viagem que Chávez faz a Havana para receber quimioterapia, depois que diagnosticou um câncer no final do mês de junho. Neste domingo, afirmou que sentiu menos os efeitos colaterias dos tratamentos dessa vez, e que ainda não sabe se precisará de uma nova sessão ou de  radioterapia. Apesar de seu relatório médico otimista, Chávez lembrou os venezuelanos para que não esperem dele um retorno rápido ao ritmo normal e frenético de atividades pois seu sistema imunológico ainda está fraco.

Aconselhado por Fidel, não quer declarar vitória na luta contra o câncer ainda: "Fidel é como um doutor chefe nisso tudo. Quando nos despedimos, ele disse: 'Chávez, você está partindo, não se esqueça disso, você não se pode deixar levar pelo impulso... você pode começar a se convencer de que isso já passou e as pessoas podem acreditar que já acabou. Não, não acabou.'"

Chávez chegou a Venezuela com roupa militar e boina vermelha
EFE
Chávez chegou a Venezuela com roupa militar e boina vermelha

* Com EFE e Reuters

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