CARACAS - O presidente venezuelano, Hugo Chávez, e o primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, selaram hoje uma aliança estratégica com a assinatura de 30 acordos, especialmente na área de energia e defesa.

"Quero destacar que criamos (Venezuela e Rússia) uma nova equação em mecanismos de cooperação bilaterais que nesta década se desenvolveram como nunca antes", afirmou Chávez ao término do ato no qual foram assinados uma dezena dos documentos estipulados na visita do dirigente russo.

"Vladimir Putin ajudou a configurar um mundo multipolar e contribuiu para o fim da hegemonia unipolar", disse.

Acrescentou que ambos os países concordam em trabalhar para "o fim dos impérios, para que se levante o mundo novo do progresso, da felicidade social, o mundo da paz".

"Rússia e Venezuela se encontram nesse caminho e a cada dia estaremos mais unidos", declarou o presidente venezuelano.

Putin destacou que o objetivo é "tornar o mundo mais democrático, equilibrado e multipolar" e ressaltou os diversos acordos assinados hoje, entre eles os projetos de exploração na rica faixa petrolífera venezuelana do Orinoco, especialmente no campo Junin 6.

Disse a respeito que se assinou um convênio para pagar a chamada "entrada" de US$ 1 bilhão na exploração de Junin 6 e entregou a Chávez o pagamento dos primeiros US$ 600 milhões.

Putin considerou que o reforço da cooperação concretizado na sua visita abre o caminho da "plena cooperação como antídoto contra as crises econômicas globais", apostando na diversificação dos setores de colaboração.

Os diversos documentos assinados nesta sexta-feira para consolidar, segundo ambos os governantes, a relação estratégica abrangem setores de energia, defesa, infraestrutura, transporte, tecnologia, agricultura, educação, cultura e indústria.

Na área energética, foi selada um ata de intenção para a incorporação do Consórcio Nacional Petroleiro russo no plano de desenvolvimento dos blocos Ayacucho 2, Ayacucho 3 e Junin 3 da Faixa do Orinoco.

Também foi assinado o acordo para o pagamento do bônus de participação para constituir uma empresa mista que vai explorar de forma conjunta o campo Junin 6.

Ambos os Governos ajustaram vários memorandos de entendimento para construção de navios-tanque de transporte de gás e petróleo; estudos para a instalação de uma planta de geração de energia elétrica e cooperação em projetos de planejamento energético.

Outro dos textos contempla a provisão de aviões de fabricação russa para a renovação de frotas aéreas da Venezuela e de outros países da América Latina e um dos acordos prevê definir os mecanismos para o estabelecimento de uma rota aérea Caracas-Moscou, via Havana e Madri.

Entre os demais acordos, estão a aquisição de cerca de dois mil automóveis Lada, programas de pesquisa científica, intercâmbios culturais e universitários, reconhecimento e equivalência de documentos e títulos e fortalecimento da colaboração em matéria agrícola.

Chávez e Putin, que recebeu durante o ato o colar do Libertador Simón Bolívar e uma réplica de sua espada, assinaram também duas declarações por ocasião da celebração do Bicentenário da Independência da Venezuela e da comemoração do 65º Aniversário do fim da Segunda Guerra Mundial.

Durante seu discurso, o presidente venezuelano disse que há disposição para "elaborar o primeiro projeto para uma central de energia nuclear com fins pacíficos", assim como para colaborar no uso do espaço "ultraterrestre" venezuelano, algo que a "Rússia tem muitíssima experiência".

No âmbito da visita de Putin, a Venezuela recebeu quatro helicópteros russos Mi-17 que completam o lote de 38 comprado em 2006, ao mesmo tempo em que Chávez anunciou a aquisição de pelo menos um hidroavião Beriev-200 para combater incêndios.

O primeiro-ministro russo chegou na manhã de hoje à Venezuela, onde foi recebido com honras militares por Chávez no aeroporto de Maiquetía, cerca de 30 quilômetros de Caracas.

Após o ato, ambos se dirigiram para o porto de La Guaira, e subiram a bordo da embarcação-escola russa Kruzenshtern que está atracado em um de seus píeres.

Putin foi depois ao Panteão Nacional, no centro de Caracas para colocar uma oferenda de flores perante o sarcófago do Libertador Simón Bolívar, antes de se dirigir ao Palácio de Miraflores para sua reunião de trabalho com Chávez que se prolongou por umas cinco horas.

O dirigente russo deve fazer sua viagem de volta esta mesma noite após uma reunião com o presidente boliviano, Evo Morales, depois de sua reunião em Caracas.

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