Chávez e Lula fortalecem cooperação com assinatura de acordos

Caracas, 27 jun (EFE).- Caracas e Brasília fortaleceram hoje sua cooperação bilateral com a assinatura de acordos em matéria de alimentos, energia e infra-estrutura, reiterando sua confiança no ingresso pleno da Venezuela ao Mercosul.

EFE |

No marco de sua quarta reunião trimestral de trabalho, os presidentes da Venezuela, Hugo Chávez, e do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, voltaram a destacar a importância do processo de integração para impulsionar a soberania da região.

Em uma breve entrevista coletiva conjunta, o líder venezuelano anunciou que a próxima reunião trimestral será realizada em setembro no Brasil, sem dar mais detalhes.

Chávez e Lula confirmaram, além disso, a aliança entre as estatais PDVSA e Petrobras, especialmente no marco dos projetos de construção de uma refinaria conjunta na cidade de Pernambuco e a participação da empresa brasileira na prospecção e exploração de petróleo na rica Faixa do Orinoco da Venezuela.

Nesse sentido, Lula atribuiu a "demora" na concretização de uma aliança entre as empresas em ambos os projetos "ao fato de que são duas empresas extraordinariamente grandes e poderosas, e estão estabelecendo denominadores comuns que permitam uma participação bastante sólida das partes".

"Estou muito tranqüilo, seguro do sucesso dessas negociações entre as petrolíferas da Venezuela e do Brasil, pois estão trabalhando com muita cautela, porque este não é um acordo entre amigos, mas entre duas grandes empresas", acrescentou Lula.

Os acordos assinados hoje em Caracas se referem à compra venezuelana do Brasil de 20.000 toneladas de frango, 12.000 de mortadela e 12.000 de óleo de soja, em operações comerciais que se concretizarão nos próximos dois meses.

Também foi assinado o contrato entre a estatal PDVSA Naval e a Andrade Gutierrez SA para a construção de um estaleiro na península de Araya, onde serão fabricados navios petroleiros com capacidade para 400.000 toneladas.

Em matéria de energia, foram assinados memorandos de entendimento para a interconexão elétrica entre Venezuela e Brasil, um deles para a elaboração de um "plano de trabalho" que deverá ser apresentado a uma "comissão binacional" em um prazo de 32 semanas.

PDVSA e Petrobras assinaram um "acordo de princípios para o contrato" de provisão de gás natural liquefeito venezuelano ao Brasil, que foi qualificado de "importantíssimo" por Chávez.

"A Venezuela tem uma das maiores reservas de gás do mundo (...) Em 2013 estaremos em condições de exportar gás liquefeito, portanto nos dá muito gosto nos comprometer com o Brasil", declarou Chávez.

A Venezuela possui o oitavo maior reservatório de gás do mundo, com reservas provadas de 180 trilhões de pés cúbicos, segundo dados da PDVSA.

Caracas e Brasília também acertaram estudar procedimentos para a autorização de sobrevôos na fronteira comum, e para estabelecer uma possível interconexão telefônica, entre outros.

Em relação à entrada plena da Venezuela no Mercosul (Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai), ambos os governantes expressaram seu otimismo em que o mesmo concretize-se em breve, embora Chávez tenha dito que seu país "de fato e de coração" já se sente parte da união aduaneira sulina.

A adesão da Venezuela ao Mercosul como membro pleno já foi aprovada por todos os integrantes do bloco, mas ainda depende da ratificação do respectivo protocolo por parte dos Congressos do Brasil e do Paraguai.

"Tenho a segurança de que vai ser aprovada a entrada da Venezuela no Mercosul, os empresários brasileiros estão convencidos disso (...) É questão de alguns dias, um mês ou dois para que a Câmara possa votar", acrescentou Lula.

O presidente brasileiro também expressou seu otimismo sobre a "futura" criação do Conselho de Defesa Sul-Americano, que promove mecanismos para a conjunção de posições no âmbito da defesa, além de impulsionar exercícios militares conjuntos, entre outros.

Antes da assinatura dos acordos, Chávez e Lula mantiveram uma reunião de trabalho no Palácio presidencial, que se desenvolveu com um "sentido de fraternidade insuperável", destacou o presidente anfitrião. EFE gf/ma

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