Caracas, 23 set (EFE).- O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e seu colega venezuelano, Hugo Chávez, terão no próximo domingo na ilha de Margarita, na Venezuela, um encontro bilateral como parte de suas reuniões trimestrais, informaram hoje fontes diplomáticas.

A reunião entre os dois presidentes terá lugar logo após o fim, no mesmo dia, da segunda Cúpula América do Sul-África (ASA), da qual ambos participarão junto com outros 30 governantes nos dias 26 e 27 também na ilha de Margarita.

O encontro bilateral para o acompanhamento dos acordos entre Venezuela e Brasil tinha sido inicialmente anunciado para o dia 28 de setembro pelo próprio Chávez.

Em entrevista coletiva em agosto, o presidente venezuelano afirmou que assinaria em sua próxima reunião com Lula um acordo que permitirá a "incorporação definitiva" da estatal Petróleos de Venezuela SA (PDVSA) no desenvolvimento da refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, junto com a Petrobras.

Chávez disse então que o custo do projeto, que PDVSA e Petrobras negociam desde 2005, "disparou" e o acordo que assinarão prevê que as empresas petrolíferas farão esforços "para reduzir custos".

Em 26 de maio, as duas estatais acordaram prorrogar em 90 dias o contrato de associação assinado pelos dois países no ano passado para desenvolver a refinaria binacional, que exige investimentos de US$ 4,5 bilhões para sua construção, segundo os primeiros cálculos.

Segundo dados oficiais brasileiros de julho, a refinaria de Pernambuco está 15% construída.

Em agosto, durante um encontro com uma missão empresarial brasileira que visitou Caracas, Chávez anunciou também que em sua próxima reunião com Lula iria propor dar ênfase a projetos bilaterais em áreas "prioritárias como agroindústria, petroquímica, metal-mecânica e material de defesa", entre outras.

O presidente venezuelano acrescentou que, para assegurar o financiamento de projetos nessas áreas prioritárias, também iria propor a "criação de um fundo especial binacional", sem dar mais detalhes.

Chávez e Lula, que realizam reuniões trimestrais desde o final de 2008, também devem abordar temas da atualidade como a nova situação na crise hondurenha após o retorno do presidente deposto, Manuel Zelaya, que recebeu abrigo na Embaixada do Brasil em Tegucigalpa.

No último encontro dos dois presidentes, ocorrido em maio em Salvador, os dois governantes anunciaram que iriam acelerar a integração bilateral para agilizar a entrada da Venezuela ao Mercosul, que ainda depende da ratificação dos Congressos de Brasil e Paraguai. EFE eb/bba

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