Chávez e Lula discutem sobre crise hondurenha e conflito colombo-venezuelano

Caracas, 30 jul (EFE).- O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, e o venezuelano, Hugo Chávez, conversaram por telefone sobre a crise em Honduras e a deterioração das relações entre Colômbia e Venezuela, informou hoje uma nota oficial.

EFE |

Segundo um comunicado do Ministério de Comunicação, "os dois líderes manifestaram sua preocupação com a situação de Honduras", após a deposição do presidente Manuel Zelaya, no dia 28 de junho.

Além disso, ressaltaram a necessidade de "aumentar as pressões internacionais sobre os golpistas para garantir a restituição do presidente Zelaya e a democracia nesse país irmão".

Sobre a tensão entre Bogotá e Caracas, a nota indicou que Chávez informou a Lula sobre "o perigo e a ameaça que significa a tentativa de colocar bases militares americanas na Colômbia".

Bogotá e Washington negociam um acordo para que os Estados Unidos usem bases militares colombianas, depois da não renovação do contrato em Manta, Equador.

O líder de Estado venezuelano explicou a Lula as medidas que seu Governo "se viu obrigado a tomar para garantir a paz e a estabilidade na região", acrescentou o comunicado.

Venezuela congelou as relações diplomáticas e comerciais com a Colômbia, na terça-feira, ao tachar de "irresponsáveis" as acusações de Bogotá sobre o suposto desvio de armas que a Venezuela comprou da Suécia, em 1988, e que acabaram em poder das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).

Além disso, advertiu que romperá definitivamente os laços com Bogotá diante de uma eventual "próxima declaração verbal" por parte do Governo do presidente Álvaro Uribe, que signifique uma "nova agressão".

O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim, anunciou ontem que seu país está disposto a trabalhar para "recompor" a confiança entre a Venezuela e a Colômbia.

Além disso, o comunicado oficial venezuelano afirma que Lula ratificou a Chávez sua participação na II Cúpula da América do Sul-África, que será realizada nos dias 26 e 27 de setembro, na Venezuela.

Aponta ainda que os governantes "compartilharam sua felicidade pelo compromisso alcançado entre as empresas PDVSA e a Petrobras", considerado "de grande importância para alcançar uma relação complementar" entre os países e dispor de "plena soberania energética".

Segundo a nota, Lula também confirmou a visita a Caracas de seu assessor Marco Aurélio Garcia, nos dias 31 de julho e 1 de agosto, assim como a do ministro de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge, no dias 19 e 20 de agosto, acompanhado de uma ampla delegação de empresários brasileiros.

"Finalmente, os dois líderes ratificaram seu compromisso de continuar seus encontros trimestrais, ficando pendente ajustar a data exata para o próximo mês de setembro", diz o comunicado. EFE rr/pd

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