Chávez e Kirchner desistem de viagem à Bolívia

Os presidentes de Venezuela, Hugo Chávez, e da Argentina, Cristina Kirchner, suspenderam nesta terça-feira a viagem que fariam ao departamento boliviano de Tarija, onde se reuniriam com o presidente da Bolívia, Evo Morales, para não pôr lenha na fogueira, justificou o dirigente venezuelano, na entrevista à imprensa em Buenos Aires.

AFP |

"Diante do que está acontecendo na Bolívia, avaliamos a situação com Evo (Morales), e eu lhe disse que não podemos pôr lenha na fogueira", disse Chávez, na conversa com jornalistas, em um hotel portenho, após liderar assinaturas de acordos bilaterais com empresários e funcionários argentinos.

Hoje, organizações cívicas protestaram nos arredores do aeroporto de Tarija, sul da Bolívia, contra a chegada de Morales, que se reuniria com Cristina e Chávez.

Em meio ao clima de instabilidade política, também nesta terça, confrontos entre policiais e mineiros estatais, em uma comarca andina 200 km ao sudeste de La Paz, já deixaram dois mortos e pelo menos 32 feridos.

"Resolvemos suspender a viagem a Tarija porque houve agressões contra jornalistas e protestos contra as delegações (antecipadas) de Argentina e Venezuela - um fascismo que faz lembrar as piores épocas", justificou Chávez, garantindo que tomou a decisão após conversar por telefone com Evo Morales.

Já uma fonte da chancelaria argentina informou que a viagem dos dois presidentes foi suspensa a pedido de Evo Morales, por questões de segurança.

Chávez acusou os Estados Unidos de promoverem ações desestabilizadoras na Bolívia antes do referendo de domingo.

"Acusamos diretamente o império dos Estados Unidos, que faz todo o possível para evitar nossa união", denunciou o dirigente venezuelano, atribuindo as supostas ações desestabilizadoras "ao desespero imperial de Mister Danger", como costuma chamar o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush.

"Isso nos mostra que o império americano não pode ser subestimado", insistiu, acrescentando, em uma alusão ao referendo no país andino, que "os fatos de violência indicam que (os opositores) não estão dispostos a aceitar resultados democráticos".

"As ameaças contra a Bolívia são ameaças contra toda a região, mas em especial para Argentina e Brasil, que recebem o gás boliviano", alertou Chávez.

Reynaldo Bayard, líder civil de Tarija, a região mais rica em gás da Bolívia, rejeitou a visita de ambos os presidentes, acusando-os de "fazer campanha proselitista" a favor de Morales, antes do referendo.

O chanceler argentino, Jorge Taiana, declarou que a gestão de Cristina Kirchner "apóia a institucionalidade da Bolívia e o governo constitucional de Evo Morales, além do avanço no projeto de transformação da Bolívia, com o qual nos sentimos muito comprometidos".

Hugo Chávez e Cristina Kirchner viajariam hoje para Tarija para participar da inauguração de uma usina de produção de gás financiada parcialmente pelas estatais Enarsa (Argentina) e PDVSA (Venezuela).

ls-lt/yw/tt

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG