Por Frank Jack Daniel e Fabian Cambero PORLAMAR, Venezuela (Reuters) - O presidente venezuelano Hugo Chávez e o líbio Muammar Kadafi exortaram líderes da África e da América do Sul no sábado a lutar por uma nova ordem mundial em oposição ao domínio econômico ocidental.

Ambos falavam no primeiro dia da cúpula de 28 nações, pródiga em discursos idealistas mas pobre em medidas concretas além de um acordo para criar um banco de desenvolvimento para a América do Sul com sete bilhões de dólares de capital inicial.

"Este é o início da salvação de nosso povo," disse Chávez em discurso de boas-vindas aos convidados à ilha caribenha de Margarita.

Ele disse que a reunião, que acontece logo após a Assembléia Geral da ONU e da cúpula do G20 em Pittsburgh, ajudará sobretudo as nações pobres a depender menos dos EUA e da Europa.

O líder esquerdista, há mais de dez anos no poder, disse que quer ficar décadas no cargo para transformar seu país em um estado socialista.

Kadafi, que comemora quatro décadas na presidência e levou uma limusine branca à Venezuela para recebê-lo no aeroporto, ecoou a mensagem de seu anfitrião.

"O mundo não são cinco países no Conselho de Segurança da ONU," disse ele. "As potências mundiais querem se apegar a seu poder. Quando tiveram a chance de nos ajudar, trataram-nos como animais, destruíram nossa terra. Agora temos que lutar para erguer nosso próprio poder."

Outros líderes de países em desenvolvimento importantes como Brasil e África do Sul também fizeram críticas aos problemas globais, embora em termos menos radicais.

Analistas dizem que modelos como o brasileiro, de economia de mercado aliado ao assistencialismo social, é mais popular entre muitos países africanos do que o enfoque revolucionário de Chávez.

Os líderes reunidos devem assinar um documento neste domingo exortando organismos como a ONU e o Banco Mundial a dar mais voz aos países pobres.

Chávez, que espera criar uma alternativa ao Fundo Monetário Internacional (FMI) com o Banco do Sul, disse que o organismo será fundado com 20 bilhões de dólares. Ele ainda brincou com o presidente brasileiro Luis Inácio Lula da Silva: "Lula, agora temos que encontrar o dinheiro!"

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