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Chávez é vilão em protestos pró-governo interino em Honduras

O que vamos fazer hoje, Chávez?, indaga o cartaz de um manifestante com o rosto do presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya. Uma pichação em uma das ruas da capital propõe a seguinte solução para o impasse que acomete a nação, sobre se Zelaya deve ou não retornar a Honduras: Que Chávez o adote!.

BBC Brasil |

Reuters

Presidente interino Micheletti faz discurso a seus partidários, durante
encontro na Casa Presidencial, em Tegucigalpa, nesta sexta-feira

Perto dali, outro ativista exibe uma imagem ridicularizando o líder venezuelano, valendo-se de um homônimo famoso, o personagem da série de TV humorística interpretado pelo ator Germán Robles.

Para muitos dos manifestantes que estão indo às ruas da capital hondurenha, Tegucigalpa, em apoio à administração provisória, Zelaya pretendia instaurar no país práticas semelhantes às que Hugo Chávez pôs em prática na Venezuela.

O motivo alegado pelos representantes do governo provisório para afastar Zelaya do poder é que ele pretendia realizar uma consulta popular para reformar a Constituição e, assim, abrir caminho para uma possível nova candidatura.

A Constituição hondurenha só permite que os líderes do país exerçam um único mandato presidencial, com duração de quatro anos.

'Imprensa chavista'

Comparável à hostilidade em relação ao presidente da Venezuela, só mesmo a que é dirigida à imprensa, que, no entender de militantes anti-Zelaya, tem oferecido um retrato distorcido e tendencioso do que se passou em Honduras.

Em uma manifestação realizada na sexta-feira, um manifestante carregava um cartaz no qual chamava a rede CNN de "Chávez News Network".

Quando a reportagem da BBC Brasil e do serviço em espanhol BBC Mundo montaram sua câmera para filmar uma manifestação pró-governo interino, um ativista com cara de poucos amigos perguntou:

"São de onde, da Venezuela? Digam a Chávez que não o queremos aqui".

Alguns chegavam a gritar: "cães, mentirosos" para os repórteres da BBC.

Outro participante do comício, que não havia visto a filmagem que realizáramos durante o início do evento, perguntava, em tom agressivo:
"Por que não filmaram antes, quando havia um monte de gente nas ruas? Porque só estão filmando agora, quando todo mundo já foi embora?"

Sara Herrera, uma hondurenha que morou por anos no Brasil e fala português fluente, mostrou mais ponderação ao falar com a BBC Brasil. Mas também expressou a frustração que vem acometendo os hondurenhos anti-Zelaya:

De acordo com Sara, a imprensa, até mesmo uma emissora brasileira a que ela contou ter assistido recentemente, só está exibindo "a outra cara da notícia".

"Eles não estão falando que somos mais de 80% de pessoas que não querem que o presidente Zelaya volte a Honduras, porque ele estava desrespeitando o tempo todo a lei do país. Somos gente de um monte de partidos, não só do partido que está governando. Não é só gente rica, não é só gente pobre. É o povo completo."


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