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Chávez e Ahmadinejad renovam aliança contra imperialismo

Teerã - Os presidentes da Venezuela, Hugo Chávez, e do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, reafirmaram hoje seu compromisso na luta contra o imperialismo, no primeiro dia da oitava visita do líder sul-americano a Teerã.

EFE |

Sorridentes e efusivos, Chávez e Ahmadinejad se cumprimentaram com um caloroso abraço, no pátio do palácio presidencial em Teerã.


Chávez e Ahmadinejad se encontraram em Teerã / EFE


Depois, se transferiram para uma sala privada onde deram início à sessão de trabalho, em uma visita que, segundo fontes diplomáticas venezuelanas disseram à Agência Efe, se centrará na promoção do eixo sul-sul e na consolidação das regras que guiarão as relações entre os dois países durante os próximos dez anos.

"Irã e Venezuela compartilham a importante missão de ajudar as nações revolucionárias oprimidas, e de estender a frente antiimperialista pelo planeta", disse Ahmadinejad, durante o encontro.

"Acabaram aqueles tempos em que os poderes arrogantes podiam influir nas nações revolucionárias", afirmou o presidente iraniano, citado pela imprensa oficial.

Chávez, por sua parte, qualificou o Irã de aliado estratégico firme, ao qual a Venezuela apoia em questões como seu "direito" a desenvolver energia nuclear.

"Estamos convencidos de que o Irã, como demonstrou, não vai deixar seus esforços para conseguir o que é um direito de seu povo: ter equipamento e estruturas para fazer um uso civil da energia atômica", disse Chávez.

Em seguida, ressaltou irônico que "não existe prova alguma de que o Irã construa uma bomba. Em breve, nos acusarão também de construir uma bomba", acrescentou.

Segundo a emissora de televisão "PressTV", Chávez também expressou a ideia de construir uma "zona nuclear" na Venezuela, com a ajuda do Irã.

Na sexta-feira, o embaixador venezuelano em Teerã, David Velasquez Carballo, confirmou à Efe que, atualmente, não existe cooperação nuclear entre os dois países, mas não descartou que pudesse ser estabelecida no futuro.

"A Venezuela e o Irã não têm cooperação em matéria nuclear no momento, mas poderiam ter no futuro. Na Venezuela, há 40 ou 50 anos, foi construído um reator nuclear que nunca foi colocado em funcionamento", explicou.

Vários países do mundo, como os Estados Unidos, Israel e alguns membros da União Europeia, acusam o regime iraniano de ocultar, sob seu programa nuclear civil, outro de caráter militar, cujo objetivo seria adquirir um arsenal atômico, alegação negada por Teerã.

Os cinco países-membros permanentes do Conselho de Segurança das Nações Unidas, mais a Alemanha, se reuniram na semana passada para analisar a controvérsia nuclear iraniana e desenhar uma estratégia futura.

Ao final da reunião, foi determinado um endurecimento das sanções, caso seja considerado que o Irã não colabora o suficiente.

Fontes diplomáticas também disseram à Efe que, durante estes dois dias de visita, está previsto que os dois presidentes impulsionem os mais de 200 convênios de cooperação assinados em setores como o de petróleo, de habitação, de indústria, de saúde e de transferência de tecnologia.

A previsão é de que também assinem acordos para construir duas usinas de etanol, dezenas de casas no Lago de Maracaibo, fábricas de montagem de veículos e tratores, além de projetos militares conjuntos e de questões como vacinas e patentes médicas, afirmaram as fontes diplomáticas.

Além disso, os dois países pretendem pôr definitivamente em andamento o projeto do banco binacional venezuelano, inaugurado durante a viagem de Chávez em abril, mas que ainda não começou a funcionar.

"Esta visita tem o objetivo de estabelecer os mecanismos de acompanhamento, os comitês de trabalho que vão dirigir todo este esforço", explicou o embaixador.

Serão examinadas ainda questões internacionais, como as políticas dos EUA na América Latina e no Oriente Médio.

O objetivo é "fortalecer os laços com base na diversidade, mais que apesar dela, e gerar espaços de articulação e unidade necessários, frente a cenários internacionais preocupantes, como as bases americanas na Colômbia, o golpe em Honduras e algumas posições dos EUA na América Latina", afirmou o embaixador.

O Governo iraniano foi um dos primeiros a apoiar Chávez e mostrar sua total rejeição à utilização de bases militares colombianas por soldados americanos.

"Irã e Venezuela podem prosseguir com sua cooperação em diferentes cenários internacionais, através da aplicação dos acordos bilaterais assinados", disse hoje Ahmadinejad, de acordo com a imprensa local.

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