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Chávez e Ahmadinejad dizem que crise econômica é mal espiritual

Teerã, 2 abr (EFE).- Os presidentes da Venezuela, Hugo Chávez, e do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, disseram hoje que a crise financeira mundial é uma crise espiritual e defenderam o fim do livre comércio.

EFE |

Eles se reuniram hoje no palácio presidencial de Teerã, no primeiro dia de uma visita oficial que chamaram de "estratégica".

"Acho que a crise atual vai além de uma crise econômica. É mais uma crise espiritual e moral", disse Chávez, durante a primeira reunião de trabalho entre as duas delegações.

"É como um câncer que se estendeu e que afeta as relações entre os povos", acrescentou.

Neste sentido, Ahmadinejad e Chávez insistiram em que a melhor receita para a crise é estabelecer outro tipo de relação entre os países, e puseram como exemplo "a estreita e profunda cooperação" entre seus países.

"Nossos países devem fortalecer sua aliança comercial para 'se libertarem' do livre comércio mundial e criar um comércio 'justo' que se complemente", disse Chávez, embora os números de seu Governo mostrem que a economia venezuelana nem precisou de crise para se deteriorar em seus dez anos completados recentemente.

Desde 1999, a Venezuela perdeu 36% de suas indústrias, 23% dos empregos neste setor e 77% dos investimentos internacionais, segundo dados oficiais, enquanto o déficit habitacional aumentou 108% e o número de homicídios, 166%.

Ahmadinejad, por sua vez, disse que "agora que o mundo está mudando, as relações bilaterais entre Irã e Venezuela devem servir de modelo de um tipo de relação fraternal e construtiva para outros países do mundo".

Fraternidade que Ahmadinejad deixa de lado, por exemplo, quando se trata de suas declarações sobre Estados Unidos ("potência satânica") e Israel ("com 60 anos de crimes, violações e saques").

Sobre os EUA, com os quais o Irã não mantém relações diplomáticas há quase 30 anos, Chávez se disse pessimista e pôs a culpa nos americanos, em entrevista concedida à televisão oficial iraniana em inglês "PressTV".

"Não tenho muita esperança, porque existe um império detrás dele.

Tem as mãos amarradas", alegou o venezuelano.

Irã e EUA romperam relações diplomáticas em abril de 1980, quando simpatizantes da revolução islâmica cercaram a embaixada americana em Teerã e fizeram 52 funcionários reféns durante 444 dias.

Chávez iniciou hoje sua visita oficial ao Irã, em uma viagem que começou no Catar e prosseguirá na China e no Japão.

Segundo o ministro venezuelano de Indústrias Básicas e Leves, Rodolfo Sanz, trata-se de uma viagem estratégica para "investimentos futuros".

O presidente venezuelano foi recebido por seu colega iraniano no jardim do palácio presidencial de Teerã, onde eles tiveram uma longa conversa antes de escutar os hinos nacionais e passar revista suas tropas.

Depois, ambas as delegações se reuniram por duas horas para ajustar a agenda e começar as discussões políticas e os projetos de cooperação.

No entanto, o ato mais destacado desta sétima visita de Chávez ao Irã acontecerá amanhã, com a inauguração do primeiro banco binacional Irã-Venezuela.

Criado, segundo os dois países, como alternativa à crise financeira internacional, o banco começará a funcionar com um capital inicial de US$ 1,6 bilhões, o mesmo montante com o qual se desenvolverá o Fundo Venezuela-Irã.

Sobre a mesa, os dois presidentes ainda revisarão diversos projetos de cooperação científica, agrícola, energética, industrial e especialmente militar, um setor muito ativo, as que ambos os países desenvolvem em sigilo.

Entre os projetos, destaca-se um plano para estudar a construção de duas refinarias de capital misto, uma na Venezuela e outra no Irã, tema que discutirão os respectivos ministros de Energia, Rafael Ramires e Hussein Gholam Nozari.

No sábado, segundo a agenda ainda provisória, Chávez visitará projetos de desenvolvimento industrial, nos setores farmacêutico e alimentício.

Fechados ao público serão as negociações políticas, que, segundo diplomatas, se concentrarão em torno das relações com o resto dos países árabes e da nova conjuntura criada pela política americana após a posse do atual presidente, Barack Obama.

Está previsto que o Irã também agradeça a Hugo Chávez o apoio ao Hamas durante o conflito armado com Israel na Faixa de Gaza.

Faltando confirmação oficial, a agenda de Chávez terminaria com um encontro, possivelmente no sábado, com o chefe da Revolução Islâmica iraniana, aiatolá Ali Khamenei, antes de partir rumo ao extremo oriente. EFE jm/jp

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