Chávez diz ter chorado ao saber que tinha câncer

Presidente venezuelano, que está em Cuba para novo ciclo de quimioterapia, admitiu erros e ineficiência de seu governo no passado

iG São Paulo |

Em Cuba para tratamento contra um câncer , o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, admitiu em entrevista transmitida na TV neste domingo ter chorado ao receber do líder cubano Fidel Castro a notícia de que estava com um tumor maligno.

Na entrevista, o líder venezuelano disse ter ficado tão abalado com a notícia que pediu para ficar sozinho para “refletir”, durante o dia todo. No sábado, ele voltou à ilha para a segunda fase do tratamento com quimioterapia.

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Chávez e filha Maria Gabriela são recebidos por Raúl Castro em Havan, onde líder venezuelano começa segunda fase de tratamento contra câncer (6/8)
"Quando soube, pedi um momento sozinho (...) fui ao banheiro ver meus olhos (no espelho) e chorei, chorei pelos meus filhos, chorei como em 12 de abril (quando sofreu o golpe de Estado)", disse Chávez. "’Por que comigo?’, eu me perguntava.".

Chávez disse que depois de recompor, convocou seus colaboradores para anunciar que teria de se submeter a uma cirurgia, em 20 de junho, e detalhou os riscos que correria.

Erros

Na entrevista também, Chávez admitiu também que a “falta de eficiência” foi um dos principais erros de seu governo em quase 13 anos no poder. “A falta de eficiência no rotineiro, no diário, isso confirma um grande erro que muitas vezes colocou em perigo as políticas do governo, as políticas sociais, econômicas, a atenção aos problemas do povo”, disse Chávez.

Segundo o presidente venezuelano, essa ineficiência “agrupa um conjunto de desacertos políticos, econômicos e sociais”, mas “o inventar de um modelo novo leva consigo, inevitavelmente, cometer erros”. Chávez disse ainda estar sempre buscando melhorar sua gestão, com o objetivo de reduzir a burocracia.

O presidente reconheceu também que outro erro do início de seu governo foi manter uma “política econômica ortodoxa” que, segundo ele, levou-o a tratar com o Fundo Monetário Internacional (FMI). Em contraste, ressaltou o mandatário venezuelano, um de seus grandes acertos foi “declarar o socialismo e começar a abrir o caminho”, porque “teria sido um erro construir uma nova Venezuela com o marco do capitalismo”.

Segundo o jornal venezuelano El Universal, o presidente de 57 anos disse também neste domingo que o futuro da “revolução bolivariana” no país não depende de uma eleição presidencial, em alusão às disputas municipais, estaduais e presidencial de 2012. “Não estamos apostando na revolução bolivariana a um processo eleitoral. (...) Será um evento que não é determinante", disse.

Tratamento

No sábado o Parlamento venezuelano voltou a aprovar, por unanimidade, a autorização para que Chávez viajasse à Cuba para dar continuidade ao tratamento. Neste domingo, ele está sendo submetido a uma série de exames médicos. As sessões de quimioterapia devem começar na segunda-feira.

Chávez deve permanecer em Cuba por pelo menos cinco dias. É provável que ao retornar, ele tenha de reduzir o número de aparições públicas, em consequência dos efeitos do tratamento.

Nos dias seguintes à primeira sessão de quimioterapia, ele marcou presença quase que diária em reuniões ministeriais transmitidas pelo canal estatal ou em aparições públicas em atos governamentais. Na primeira aparição após o início do tratamento, na última semana, Chávez apareceu calvo e disse estar com um "novo look". Ele relatou, na segunda-feira, ter decidido raspar o cabelo quando sentiu a primeira mecha de cabelo cair. No sábado, pouco antes de sua viagem à Cuba, a queda do cabelo do presidente já era bastante visível.

Doença

Apesar das dificuldades do tratamento e da dúvida sobre a real gravidade da doença - o governo não informou até agora que tipo de câncer Chávez enfrenta - o presidente venezuelano afirma que será candidato à reeleição em 2012.

A doença do mandatário venezuelano imprimiu mudança de estilo tanto no governo, como na coalizão opositora. Seus adversários passaram a defender, em campanhas antecipadas, os programas sociais do governo, antes duramente criticados por este grupo.

Chávez, por sua vez, convocou os aliados a conquistar a classe média, que virou alvo de seus discursos. O líder venezuelano espera recuperar pelo menos dois milhões de votos perdidos desde as eleições presidenciais de 2006.

*Com BBC

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