Chávez diz respeitar decisão da Colômbia de não presidir Unasul

Caracas, 21 mai (EFE).- O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, disse hoje respeitar a decisão de seu colega colombiano, Álvaro Uribe, de não presidir a União das Nações Sul-americanas (Unasul), cujo acordo constitutivo será assinado na próxima sexta-feira em Brasília.

EFE |

"A Colômbia manifestou que não está em condições de assumir a Presidência da Unasul. É preciso respeitar, são as decisões de um Governo", disse Chávez.

O chefe de Estado venezuelano afirmou que irá à Cúpula da Unasul com a intenção de "continuar avançando na concretização da unidade na América do Sul" e manifestou que "qualquer um pode assumir a Presidência (...) vamos debater na Cúpula".

Uribe disse hoje à imprensa colombiana ter explicado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva que "não é prudente a Colômbia assumir a Presidência da Unasul neste momento, devido às divergências com os presidentes de Venezuela e Equador".

Uribe se referiu aos recentes desentendimentos com Chávez e Correa em decorrência da crise diplomática de Bogotá com Quito e Caracas pelo ataque de tropas colombianas, em 1º de março, a um acampamento das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) no Equador.

O presidente colombiano também disse que "tudo indica que o Chile estará na Presidência (na Unasul)", o que ele recebe de forma muito positiva.

Chávez leu algumas declarações de Uribe, nas quais este afirmava que "alguns Governos não gostam do modelo de desenvolvimento da Colômbia (...). Pensam que o correto é um modelo de hostilidade ao investimento, de reviver monopólios estatais como único instrumento de prosperidade, e nós, colombianos, não concordamos com isso".

"Veremos quem tem a razão no final", disse o governante venezuelano, afirmando que "está mais do que provado que o modelo neoliberal fracassou no mundo".

A criação de um Conselho Sul-americano de Defesa, iniciativa de Lula, é outro tema em que há divergências, pois enquanto Uribe se mostra contrário à adesão da Colômbia ao órgão, Chávez vê a proposta com bons olhos.

"A união de todos os nossos países, ou de quase todos, é a melhor maneira de garantir a paz (...) (No entanto), a proposta feita por Lula (criação do Conselho Sul-americano de Defesa) está sendo criticada pela Colômbia", disse Chávez.

"Uribe diz que prefere a Organização dos Estados Americanos (OEA), já sabemos porque, mas respeitamos seu direito (...) Lá, (estão) os que querem continuar sendo lacaios indignos do império americano, nós estamos dispostos a ser livres, soberanos e dignos".

Chavez afirmou também que os presidentes Lula, Cristina Fernández de Kirchner, da Argentina, Rafael Correa, do Equador, Evo Morales, da Bolívia, e ele, "um humilde soldado que é (...) querem acelerar o processo de unidade dos países (...)".

"O país que quiser ficar de fora que fique. Assim são os processos. Assim foi na Europa".

Chávez, Uribe e o presidente do Equador estarão no mesmo hotel amanhã em Brasília, contaram fontes da organização hoje à Agência Efe. EFE mm/rb/db

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