CARACAS - O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, disse na noite desta sexta-feira ter informações de que o presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, regressará ao poder nas próximas horas. Nos chegou informação de que Zelaya regressará ao poder nas próximas horas, disse.

Chávez admitiu não conhecer detalhes do acordo que foi firmado nesta sexta-feira com o governo interino e o líder deposto, mas ressaltou que "independentemente" dos alcances da negociação, dos resultados das eleições e da data em que ela ocorra, "independentemente de tudo, há uma grande vitória moral", disse Chávez em um ato público realizado em Caracas, logo depois do presidente Luiz Inácio Lula da Silva deixar o país.

O acordo prevê que a decisão sobre o retorno do líder deposto seria do Congresso, com uma consulta prévia ao Supremo Tribunal de Justiça, para a formação de um governo de união nacional que reconheceria as eleições nacionais marcadas para 29 de novembro.

Chávez, que se tornou o principal aliado de Zelaya na América do Sul, disse não ter dúvidas que em Honduras "a vontade do povo será imposta".

"Se Zelaya restituído não puder convocar uma Assembleia Constituinte, poderíamos dizer, por enquanto (por ahora), porque a história está apenas começando", disse Chávez ao utilizar o "por ahora" - frase que o lançou na política quando fracassou uma tentativa de golpe de Estado em 1992, contra o então presidente Carlos Andrés Perez.

Lula

Mais cedo, antes de retornar ao Brasil, Lula disse "aconteceu o que deveria acontecer" , em relação à crise hondurenha.

"Prevaleceu o bom senso, que é fazer um acordo, convocar eleições e Honduras voltar à normalidade. A lição que fica para nós é que ninguém mais aceita golpe militar. Todo mundo defende o fortalecimento da democracia. Espero que o acordo seja cumprido", afirmou Lula na base aérea de El Tigre, no centro-oeste da Venezuela.

O presidente deposto de Honduras elogiou nesta sexta-feira o acordo firmado com o governo interino para pôr fim à crise do país, mas ressaltou que o pacto depende ainda da aprovação do Congresso hondurenho.

"O Congresso nacional tem uma grande responsabilidade em colocar um ponto final neste conflito", afirmou por telefone à BBC.

"Se (o acordo) fracassar, o que é uma possibilidade, seria um desastre moral para todos nós que estamos lutando pela democracia".

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