Chávez diz que vai revisar relações com Colômbia após relatório da Interpol

Caracas, 15 mai (EFE).- O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, disse hoje que vai revisar as relações com a Colômbia, após qualificar de show de palhaços a apresentação de um relatório da Interpol em Bogotá.

EFE |

Em entrevista coletiva no Palácio de Miraflores, sede do Governo, o presidente venezuelano disse ainda que a Europa não deve temer os Governos latino-americanos de esquerda, e afirmou que fará amanhã algumas propostas na 5ª Cúpula América Latina-Caribe-União Européia (EU-LAC, na sigla em inglês), que acontecerá em Lima.

Apesar de seu encontro com a imprensa estrangeira ter começado com uma declaração sobre a EU-LAC, o principal assunto foi a forte tensão com a Colômbia, reavivada com a apresentação hoje de um relatório da Interpol sobre computadores que supostamente pertencem às Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).

O presidente venezuelano taxou de "show midiático" e "show de palhaços" a apresentação do secretário-geral da Interpol, Ronald Noble, na capital colombiana.

Noble disse que não foram encontradas alterações nos computadores e afirmou que eles pertenciam ao líder das Farc "Raúl Reyes", morto no dia 1º de março em uma incursão colombiana contra um acampamento da guerrilha no Equador, declarações que Chávez afirmou que não coincidiam com as conclusões do relatório.

A Interpol não se pronunciou sobre o conteúdo dos documentos extraídos dos supostos computadores que, segundo alguns meios de comunicação, vinculariam os Governos de Equador e Venezuela às Farc.

Segundo Chávez, o acampamento das Farc bombardeado pela Colômbia tinha como "objetivo fundamental" organizar a "libertação de outro grupo (de seqüestrados) que sairiam pelo Equador".

O líder desafiou seu colega da Colômbia, Álvaro Uribe, a protestar contra seu Governo e o da França, como fez com o Equador, por persistir nos contatos com as Farc.

"Você (Uribe) adora se colocar contra o Equador. Por que não reclama com o presidente francês, Nicolas Sarkozy?", disse Chávez.

O presidente venezuelano disse ainda que se sente obrigado a revisar as relações econômicas com a Colômbia, e assinalou que o comércio com esse país não é imprescindível e pode ser substituído por negócios com o Brasil.

"Infelizmente somos obrigados a revisar essa relação. As importações da Colômbia não são imprescindíveis. Podemos conseguir produtos alimentícios e bens e serviços em qualquer parte do mundo", disse Chávez.

"Estamos ajudando a Colômbia, mas tudo isto tem de ser revisado, porque o que aconteceu hoje é uma agressão grosseira", acrescentou.

No encontro com a imprensa, às vésperas da cúpula de Lima, Chávez insistiu em que a Europa não deve "ter medo" da esquerda na América Latina, e rejeitou novamente as declarações da chanceler alemã, Ángela Merkel, que teria dito que "os Governos latino-americanos deveriam se distanciar da Venezuela".

O presidente venezuelano encorajou as relações construtivas entre os países da América Latina e da Europa, sem importar "a tendência política".

"Tomara que a Europa ouça o clamor dos povos da América Latina", disse Chávez, que afirmou viajar a Lima com várias propostas, entre elas a criação de um fundo de mais de US$ 1 bilhão para os países mais pobres.

Além disso, propôs que "a Europa rica, de maneira séria e demonstrando humanidade" perdoe, sem imposições, a dívida dos países latino-americanos e caribenhos. EFE eb/mh

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