Caracas, 4 fev (EFE).- O presidente venezuelano, Hugo Chávez, assegurou hoje que o fracassado golpe de Estado que liderou há 17 anos introduziu antecipadamente seu país no século XXI, em declarações feitas no dia em que comemorou com um desfile cívico-militar esse episódio.

Chávez também voltou a expressar sua certeza de que a emenda constitucional que promove para instaurar a reeleição ilimitada dos cargos escolhidos por voto popular, incluindo o de presidente, será aprovada no referendo do próximo dia 15 de fevereiro.

"O coração me diz, o vento me diz, vocês com seus olhares me dizem: em 15 de fevereiro temos que conseguir, e vamos conseguir a vitória do 'sim' à emenda", disse Chávez durante o discurso de fechamento do desfile, realizado na cidade de Maracay, cerca de 120 quilômetros a oeste de Caracas.

Uma vez aprovada a emenda, Chávez poderá concorrer em 2012, pela terceira vez consecutiva, à Presidência da Venezuela, o que segundo ele é imperativo para dar-lhe uma oportunidade de sobrevivência à "revolução bolivariana", da qual se considera o principal impulsor.

"Eu estou pronto e peço a Deus que me dê vida e saúde para seguir à frente do Governo até 2019", expressou o governante da Venezuela, país que é o quinto maior exportador mundial de petróleo.

Chávez alertou que a oposição "burguesa gera em laboratórios de guerra" situações que buscam promover a "violência" e, com isso, tentam "evitar" o triunfo do "sim" no referendo sobre a emenda.

O líder venezuelano citou como exemplo do trabalho desses "laboratórios de guerra" o fato de que setores políticos adversos a seu Governo utilizam o recente ataque a uma sinagoga em Caracas para acusá-lo de ser antissemita.

"Eu não odeio judeus. Peço aos judeus venezuelanos que não se deixem levar por esses laboratórios de guerra da burguesia", ressaltou o chefe de Estado.

Um grupo armado não identificado invadiu uma sinagoga de Caracas no sábado passado, gerando destruição em um fato "de delinquência" novamente repudiado hoje pelo chanceler venezuelano, Nicolás Maduro, durante uma reunião formal com representantes da comunidade judaica.

Em seu discurso de hoje, Chávez voltou a repassar a história da Venezuela e falou novamente do que chama de "saque" que o país foi vítima por parte do império, que ao longo do século XX "levou todo o petróleo" que quis, deixando a população imersa na pobreza.

O presidente citou que "alguns historiadores dizem que a Venezuela entrou tarde no século XX, devido à obscura tirania de Juan Vicente Gómez", que chegou à Presidência por um golpe de Estado em 1908 e governou até sua morte, em 1935.

"Se encararmos isso de forma razoável, eu me atrevo também a raciocinar e afirmar de maneira firme e taxativa que a Venezuela entrou adiantada no século XXI e que o século XXI começou em 4 de fevereiro de 1992", assegurou o líder, entre aplausos de seus seguidores.

Segundo ele, a tentativa de golpe de 4 de fevereiro de 1992 "foi uma ação quixotesca" levada a cabo por "jovens, soldados e cidadãos que também se transformaram em soldados".

Quando Chávez reconheceu publicamente o fracasso do golpe há 17 anos, foi lançado na cena política. Mais tarde, o líder se consolidou ao vencer suas primeiras eleições, em dezembro de 1998.

EFE gf/rr

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