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Chávez diz que referendo definirá seu futuro político

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, voltou a afirmar que seu futuro político será decido nas urnas deste domingo, quando os venezuelanos participam de um referendo em que deverão aprovar, ou não, o fim do limite à reeleição para os cargos públicos. Venho consciente de que aqui hoje, entre outras coisas importantes, hoje se está decidindo meu destino político e para mim como soldado desta luta, para mim é algo importante, afirmou Chávez, logo depois de votar, acompanhado das filhas e dos netos no bairro periférico de 23 de Enero, bastião chavista no oeste de Caracas.

BBC Brasil |

O líder venezuelano, que neste mês completou uma década no poder, disse que reconhecerá o resultado "seja ele qual for".

"Independentemente dos resultados, é a voz da nação que está se expressando", acrescentou Chávez.

O mandatário venezuelano ressaltou que essa é a primeira vez na história do país que se modifica a Constituição a partir de uma consulta popular.

"Aqui antes, foram feiras emendas, reformas (constitucionais) nas costas da opinião pública, nas costas do povo", afirmou.

"Isso se acabou aqui na Venezuela (...) aqui não se pode mudar nem um ponto ou uma vírgula se não se aprova em referendo", acrescentou.

Trata-se da 15 eleição em que os venezuelanos participam desde que Chávez assumiu o poder.

Chávez voltou a chamar seus opositores a reconhecerem os resultados das urnas e advertiu que seu governo está "pronto" para "neutralizar" atos de violência. "Será pior para quem tentar", afirmou.

Questionado se abriria "pontes" de diálogo com os dirigentes opositores a partir de agora, o presidente venezuelano disse ser um "lança-pontes", mas condicionou o diálogo ao respeito à Constituição e " a vontade do povo".

De acordo com o governo, até o meio-dia, 40% dos eleitores inscritos já haviam votado.

Tanto oficialistas como opositores têm reiterado o pedido para que os mais de 16 milhões de venezuelanos inscritos no registro eleitoral participem da consulta popular.

As últimas pesquisas de intenção de voto apontam que a emenda poderia ser aprovada por uma margem estreita de votos. O principal desafio neste pleito, tanto para o governo, como para a oposição, será diminuir o percentual de abstenções.

A disputa tende a ser apertada. De acordo com o instituto de pesquisa Datanalisis, cerca de 10% do eleitorado se declarou indeciso nas vésperas do referendo, uma tendência imprevisível, mas que pode definir o resultado final.

Do lado de fora, minutos antes da chegada de Chávez, o ex-prefeito chavista da grande Caracas, Juan Barreto, apareceu no centro de votação e foi duramente criticado pelo eleitores simpatizantes ao governo. "Fora ladrão, aqui não é seu lugar, você não fez o trabalho", gritou um homem. Em coro as pessoas gritavam "Sem vergonha, sem vergonha".

Governistas apontam que a má administração de Barreto quando prefeito, aliado a denúncias de corrupção durante seu governo, teriam ocasionado a derrota do chavismo na capital, um dos polos mais importantes do país, permitindo a ascensão do político opositor Antonio Ledezma nas eleições regionais do ano passado.

Durante a semana, Josefina Hernandez, uma ativista oficialista responsável por mobilizar os eleitores neste domingo, afirmou que Barreto deveria ir à prisão. "Por gente como este senhor que a revolução não avança, os danos que ele causou ao processo foram piores do que de um opositor", afirmou Josefina à BBC Brasil.

De acordo com o Conselho Nacional Eleitoral, 1,6 mil observadores nacionais e 98 internacionais, provenientes de 25 países, acompanham o pleito deste domingo.

O primeiro boletim com resultados "irreversíveis" será divulgado pelo CNE três horas depois do fechamento das urnas, previsto para ocorrer às 18h (hora local, 19h30 em Brasília).

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