Caracas, 12 fev (EFE).- O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, disse hoje que chegou a hora da vitória definitiva da revolução que comanda e exigiu que seus seguidores aprovem de forma contundente a emenda constitucional para a reeleição ilimitada no referendo do próximo domingo.

Diante de uma multidão de "chavistas" vindos de todo o país reunida no centro de Caracas, o chefe de Estado disse: "No domingo, vocês definirão meu destino político" e estarão "a ponto de derrubar uma nova barreira histórica", indispensável para consolidar a Venezuela socialista.

Caso a emenda seja aprovada no referendo, Chávez poderá tentar um terceiro mandato presidencial nas eleições de 2012, o que é proibido pela Constituição atual, que só permite uma reeleição.

"Estamos diante de uma nova e grande jornada para continuarmos derrubando barreiras (...), porque no domingo o povo venezuelano, e estou certo que vocês não vão me decepcionar, vai conseguir uma grande vitória, uma vitória histórica", disse Chávez num discurso incendiário.

"Eu estou pronto para governar os quatros anos que me restam (do atual mandato) e os seis subseqüentes (...), para que continuemos criando a Venezuela socialista", declarou o líder.

No entanto, alertou o líder, é preciso "muita força, união, organização, planejamento e logística, para que não nada falhe" no próximo domingo e seja possível "consolidar uma vitória histórica, uma grande vitória por nocaute" no referendo.

Chávez, de 54 anos, viveu sua primeira derrota eleitoral em dezembro de 2007, quando o povo, também num referendo, rejeitou uma ampla reforma constitucional que ele havia proposta e que incluía a reeleição ilimitada, mas só do Presidente da República.

O governante foi eleito pela primeira vez em dezembro de 1998, foi ratificado em 2000 durante a legitimação de todos os cargos no âmbito da Carta Magna de 1999, superou um referendo revogatório em agosto de 2004 e foi reeleito para outro mandato de seis anos no pleito de dezembro de 2006.

Caso a emenda seja aprovada, "na próxima segunda-feira a única coisa nova na Venezuela será o povo com mais poder, o povo com um poder adicional", declarou Chávez, em rejeição à "mentira opositora" de que "a ditadura chavista" se "perpetuaria" no país.

"Não se trata de perpetuar Chávez no poder, trata-se, simplesmente, de dar mais poder ao povo, trata-se de instaurar uma nova doutrina constitucional", acrescentou o promotor do chamado "socialismo do século XXI".

Caso o "não" ganhe no referendo, prosseguiu o governante, a oposição "oligarca" acabará com os "avanços" da "revolução": os programas sociais e os planos de produção socialistas, que preveem investimentos multimilionárias nos próximos anos, disse.

O presidente reiterou que seu Governo "respeitará" o resultado do próximo referendo "seja qual for", e voltou a exigir à oposição que também se expresse nesse sentido.

Setores opositores cogitam "não reconhecer" uma vitória governista no referendo, repetiu Chávez, segundo quem qualquer tentativa de desses grupos de gerar "violência" será "pulverizada" pelo povo e o Governo "revolucionário".

A oposição negou as acusações governistas, e diz que rejeita a emenda porque, se ela for aprovada, o poder ficará monopolizado nas mãos de Chávez, a propriedade privada será extinta e serão perpetuados "a insegurança, a ineficácia, os meninos de rua".

Enquanto os governistas se reuniam hoje no centro de Caracas, estudantes universitários da oposição se concentravam no leste da cidade.

Do ato da oposição participou Emilio Negrín, que se identificou como presidente da governista União Bolivariana dos Estudantes e se pronunciou publicamente contra a emenda de Chávez.

Negrín afirmou que cerca de "cinco mil" filiados à entidade que preside votarão contra a emenda constitucional no referendo de domingo.

O movimento estudantil também disse que amanhá tomará as ruas de Caracas para promover o "não" à emenda. EFE gf/sc

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