Chávez diz que quer incluir a classe média em projeto socialista

Líder da Venezuela diz que tratamento contra câncer o levou a entrar em um período 'mais diverso, reflexivo e multifacetado'

BBC Brasil |

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AFP
Presidente venezuelano em seu gabinete em Caracas, capital da Venezuela (27/07)
O presidente venezuelano Hugo Chávez disse que quer abrir seu projeto socialista para a classe média e para o setor privado da Venezuela. Em uma entrevista por telefone para a televisão estatal, Chávez disse que está entrando em um período reflexivo de sua vida e que seu governo precisa convencer a classe média do país de que ela é necessária.

O presidente se recupera de um tratamento contra o câncer em Cuba, mas afirmou que pretende se candidatar à reeleição em 2012. O comentário de Chávez aconteceu um dia após a celebração de seu aniversário de 57 anos , quando disse a seus partidários que não tinha pretensões de deixar a presidência no futuro próximo.

Durante a celebração, Chávez apareceu vestindo uma camisa amarela e disse que era preciso eliminar dogmas e acabar com o que ele chamou de abuso de símbolos, como o termo "socialismo". "Por que temos sempre que usar uma camisa vermelha? O mesmo vale para a palavra 'socialismo'", disse.

Lições cubanas

Na entrevista por telefone, na última sexta-feira, Chávez afirmou que o tratamento para a retirada de um tumor na região pélvica o levou a mudar radicalmente sua vida e entrar em um período "mais diverso, mais reflexivo e mais multifacetado".

O líder venezuelano, que subiu ao poder em 1999, disse que o setor privado e a classe média eram "vitais" para seu projeto político e disse lamentar o fato de que suas tentativas de incluir estes grupos tenham sido criticadas por alguns oficiais do país.

"Raúl Castro está liderando um processo de autocrítica", disse Chávez, sugerindo que a Venezuela pode aprender com as reformas feitas pelo atual presidente de Cuba, que fez concessões ao setor privado após substituir Fidel Castro em 2006.

Segundo Chávez, o governo da Venezuela precisa corrigir a percepção de que pequenos negócios serão dominados pelo Estado. "Temos que garantir que ninguém acredite nisso. Temos que convencê-los do nosso projeto real, do fato de que precisamos desse setor e reconhecemos sua contribuição", disse.

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