Caracas, 23 ago (EFE) - O presidente venezuelano, Hugo Chávez, negou hoje que a revolução socialista que promove pretenda eliminar a propriedade privada, como denuncia a oposição, mas afirmou que exercerá o poder para garantir que as empresas do setor trabalhem em favor do país. Eu faço um apelo aos empresários (privados) para trabalhar pelo país, declarou Chávez no ato de inauguração de uma usina petroquímica no oeste venezuelano, transmitido em cadeia nacional obrigatória de rádio e televisão. Ele disse que exigirá aos empresários privados acordos que garantam, entre outros assuntos, que os trabalhadores recebam um tratamento digno e que os produtos que gerem abasteçam primeiramente o mercado local. Além disso, mencionou aqueles que desejam adquirir o polietileno produzido pela usina que inaugurou oficialmente hoje. Exercer (o Governo) o poder. O senhor quer este polietileno, vamos fazer um convênio, declarou Chávez.

A Venezuela "requer um empresário a cada dia mais consciente", afirmou.

O presidente destacou que uma das 26 leis que aprovou por decreto presidencial no final de julho passado "obriga o produtor a satisfazer à demanda regional", em perfeita linha com os princípios socialistas promovidos por sua Administração.

O líder da patronal Fedecámaras, José Manuel González, afirmou que "parece que o comunismo chegou" à Venezuela, com a aprovação dos 26 decretos-lei, que afetam as áreas da produção agrícola, habitação, propriedade social e as Forças Armadas, entre outras.

De acordo com González, o pacote legislativo se traduz em "um confisco da propriedade privada", pelo que, "dificilmente, pode haver investimento" na Venezuela, quinto maior exportador mundial de petróleo.

Ele acrescentou que também afasta os investimentos privados o processo de nacionalizações realizado pelo Governo, que esta semana somou a indústria do cimento à lista de setores afetados, integrada por laticínios, eletricidade, telecomunicações, hidrocarbonetos e bancos.

"A oligarquia está chiando. São 26 leis para favorecer o povo, aí estão e ninguém vai tirá-las (do povo)", reiterou este sábado o presidente venezuelano. EFE gf/db

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