Chávez diz que médico que lhe deu 2 anos de vida nunca o examinou

Presidente da Venezuela, que garantiu estar curado do câncer, diz que médico 'é grande mentiroso' e que nunca tratou sua família

iG São Paulo |

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, criticou nesta quarta-feira o médico que afirmou já tê-lo tratado e que garantiu que ele só tinha dois anos de vida devido ao seu câncer. Chávez afirmou que o profissional nunca o viu, e que ele não o examinou. "É um grande mentiroso", afirmou o venezuelano.

Reuters
Presidente da Venezuela, Hugo Chávez, conversa com imprensa depois de encontro com secretária-geral da Unasur, Maria Emma Mejia

O médico Salvador Navarrete declarou neste mês ao semanário mexicano Milenio que Chávez sofre de sarcoma pélvico, um tipo de câncer cuja expectativa de vida, segundo ele, é de dois anos.

Navarrete afirmou ter feito parte da equipe médica do presidente em 2002, e que é "cirurgião da família" de Chávez, que nunca divulgou o tipo de câncer com o qual foi diagnosticado em junho.

"Ele se apresenta como médico da família mais não é. Diz que operou minha mãe, mas não a operou. Viola o código de ética sem nunca ter me visto, sem ter me examinado", afirmou. Chávez questionou também se o médico foi subornado para lhe dar um tempo de vida de dois anos.

"A cada dia estou mais vivo", acrescentou Chávez que em junho extraiu um tumor canceroso. No sábado, a equipe médica do presidente fez sua primeira aparição pública desde que ele adoeceu para desmentir Navarrete e garantir que o governante "não poderia estar melhor".

Na semana passada, o presidente voltou de Cuba, onde realizou exames médicos, e declarou que os resultados mostram que o tratamento contra o câncer diagnosticado há quatro meses foi bem sucedido e que ele agora está "livre da doença" .

"Nesses quatro meses transcorridos, podemos dizer que concluímos uma etapa vital no tratamento da doença que me surpreendeu. Foi uma estratégia combinada entre cirurgia e quimioterapia concluída de maneira bem sucedida", afirmou na ocasião.

Na última sexta-feira, Navarrete anunciou que os "acontecimentos posteriores" às suas declarações o "obrigam a deixar o país de forma abrupta". Sem dar detalhes, ele se limitou a fazer um "exercício clínico" e reiterou sua convicção de que a doença de Chávez é grave, alegação negada veementemente pelo presidente e seus partidários.

Com AFP e EFE

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