Chávez diz que general boliviano dá ordens diferentes das de Morales

Caracas, 14 set (EFE) - O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, assegurou hoje que foi informado de que enquanto soldados bolivianos estão acatando ordens do governante do país, Evo Morales, outros obedecem disposições estranhas do comandante-em-chefe das Forças Armadas, o general Luis Trigo. O chefe de Estado venezuelano revelou que foi informado diretamente que sábado à noite o general foi a Pando, mas, em vez de fazer cumprir o decreto presidencial do estado de sítio (...

EFE |

), ordenou que as tropas se aquartelassem e abandonassem o aeroporto e a proteção aos cidadãos" dessa zona boliviana.

"Coisa estranha, general Trigo", disse, e acrescentou que "felizmente" foi informado na madrugada de hoje de que "oficiais de outras hierarquias e soldados leais ao Governo estão cumprindo a ordem do presidente Evo Morales".

"Resista Evo, batalhe Evo, o povo da Bolívia está contigo", afirmou o governante venezuelano após ler uma nota, aparentemente escrita pelo líder cubano, Fidel Castro, que lhe informava de que Morales deixou La Paz e foi a Cochabamba e também que "há forças leais" que recuperaram o aeroporto de Pando.

Chávez comparou Trigo a oficiais venezuelanos que o desobedeceram nas horas anteriores ao golpe de Estado que o derrubou durante dois dias em abril de 2002.

"Os golpistas de abril... é uma atitude muito parecida, de braços cruzados (para) facilitar ao fascismo a destruição da pátria", disse.

O presidente venezuelano destacou que também tem informação de que em Pando "há paramilitares estrangeiros massacrando camponeses, paramilitares bolivianos, fascistas, queimando casas, queimando escolas, instalações públicas, assaltando quartéis, etc".

É um "estado de comoção social, de terrorismo suscitado e a Polícia local amparando em boa parte o terrorismo, então, general Trigo, eu não quero me meter nas coisas internas da Bolívia", afirmou Chávez.

Ele, no entanto, advertiu: "Digo novamente, general Trigo, não vou ficar de braços cruzados" se Morales for derrubado.

"Se com Evo, que Deus me livre, chegasse a acontecer alguma coisa, se chegassem a derrubá-lo, não vou ficar de braços cruzados", insistiu, mas descartou que isso signifique que esteja pensando em "invadir a Bolívia".

Chávez destacou que está "agindo para garantir a paz na Bolívia, a democracia na Bolívia e não só na Bolívia, na América do Sul, porque estão atacando a América do Sul como um todo e por vários flancos".

O governante acusou o "império dos Estados Unidos" de tentar "incendiar a América do Sul e se alguém não percebeu isso, é porque alguma coisa está errada".

Trigo "cala perante a ingerência grosseira do império" e faz advertências a Chávez para que não se intrometa nos assuntos internos da Bolívia, criticou o governante venezuelano. EFE ar/db

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG