Chávez diz que garantiu US$ 33,5 bilhões no Japão

Tóquio, 7 abr (EFE).- O presidente venezuelano, Hugo Chávez, disse hoje que no Japão garantiu um investimento de US$ 33,5 bilhões em hidrocarbonetos, ao mesmo tempo em que afirmou que estende a mão ao americano Barack Obama para uma nova época de relações -duas semanas após chamá-lo de ignorante.

EFE |

O presidente da Venezuela fechou uma visita oficial de três dias a Tóquio na qual apostou em "um novo modelo de relações" no mundo que "respeite os níveis de desenvolvimento relativo dos países" e pelo início de novos laços com o Japão.

"Chávez no Japão não é nenhum paradoxo", disse ele, em terceira pessoa, sobre sua visita à segunda economia do mundo e principal aliada dos Estados Unidos na Ásia, dez anos após sua primeira viagem a Tóquio.

Em entrevista coletiva, Hugo Chávez disse que não perde as esperanças no Governo de Obama, pois há "sinais positivos que é preciso reconhecer".

Segundo ele, a proposta do presidente Barack Obama para acabar com o armamento nuclear é "reflexo de um mundo novo" e disse "me atrevo a estendê-lo a mão".

"Na base do respeito tudo é possível", disse, sem, no entanto, pedir desculpas pelo insulto com o qual atacou o presidente americano recentemente.

"Um futuro e possível diálogo, trabalho conjunto em distintas áreas, e acho que isso faz parte do interesse comum", acrescentou, antes de partir para Pequim.

O presidente venezuelano também anunciou que, após se reunir com o primeiro-ministro japonês, Taro Aso, membros do Parlamento e empresários, "começou uma nova etapa de relações com o Japão".

A Venezuela fechou 12 acordos de investimento com o Japão, para a prospecção de petróleo em poços na bacia do rio Orinoco, em gás natural liquefeito (LNG) e em atividades auxiliares, que, segundo ele, podem chegar a US$ 35 bilhões.

Há indícios de que na bacia do Orinoco haja grandes reservas de petróleo pesado, mais difícil de extrair e de refinar.

Mesmo sem ter nenhuma confirmação de sua existência, Chávez disse que "essas reservas são as maiores do mundo", pois dela se poderiam extrair "316 bilhões de barris de petróleo", o que transformaria a Venezuela no maior produtor mundial desse combustível.

Os investimentos nessa região chegarão a US$ 8 bilhões para os próximos cinco anos, enquanto os de prospecção em gás natural liquefeito no mar chegariam a US$ 6 bilhões.

Durante as reuniões, Chávez disse que obteve um compromisso de investimento de US$ 19,5 bilhões em processamento de LNG, indústria petroquímica e outros projetos em petroquímica e refino.

"O Japão precisa de petróleo e a Venezuela quer diversificar seu mercado, é ideal para nós", acrescentou.

Japan Oil, Gas Metals National, Inpex e Mitsubishi são algumas das empresas que farão os estudos de prospecção na bacia, depois que a queda nos preços do petróleo reduziu a receita dos cofres venezuelanos.

A delegação de Chávez ainda deve fechar na China um acordo de US$ 4 bilhões a um fundo estratégico de desenvolvimento através do qual a Venezuela fornecerá petróleo à China e que ampliará o intercâmbio em políticas de Defesa e telecomunicações.

Chávez atacou a oposição venezuelana por criticar as despesas de sua viagem internacional, que lhe levou a Catar, Irã e Japão e que se encerrará na China.

"Se a viagem custa US$ 1 milhão, assinamos e garantimos para a Venezuela US$ 33,5 bilhões de 'maneira soberana'", disse Chávez, em cujos dez anos no poder os investimentos externos na Venezuela caíram 77%, porém, de acordo com dados oficiais de seu próprio Governo. EFE jmr/jp

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