O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, disse que o Fundo Monetário Internacional (FMI) é o responsável pela crise financeira global e que a entidade deveria dissolver-se. Dissolva-se o FMI, desapareça do mundo.

(O órgão) deveria convocar uma sessão e declarar sua dissolução", disse Chávez, durante uma conferência em Caracas sobre as perspectivas econômicas diante da crise.

"Eles (do FMI) pretendem agora lavar suas mãos e se atrevem a sair como médicos salvadores, e eles são os culpados, deveriam renunciar."
Na quarta-feira, o FMI lançou um relatório semestral de Perspectivas Econômicas Mundiais no qual reduziu suas previsões de crescimento da América Latina em 2009 para 3,2%. Neste ano, a economia da região deve fechar com crescimento 4,6%.

Apesar de o FMI reconhecer que a região está mais bem preparada do que no passado para enfrentar crises deste tipo, a entidade afirma que os problemas globais rebaixarão os preços de matéria-prima e encarecerão o financiamento externo.

'Banco Petrolífero'
Chávez reconhece que a crise pode afetar a Venezuela.

"Ninguém deve dizer, nem pode dizer que estamos blindados. Não, mas temos que cuidar da saúde, ter cuidado contra o resfriado, precisamos nos proteger com uma boa injeção", disse o venezuelano.

O relatório do FMI afirma que, apesar do alto índice de inflação venezuelano - que deve fechar 2008 em 27% -, o superávit primário do país não deve ser afetado, já que o preço do petróleo continua alto.

Para o economista Pedro Palma, da Assembléia Nacional, a alta dependência do país da renda do petróleo é o fator mais vulnerável da Venezuela nesta crise.

"A Venezuela, hoje mais do que nunca, é dependente da economia petrolífera, é uma economia de renda, que depende do petróleo para manter sua atividade econômica", disse Palma na mesma conferência.

Chávez também defendeu que se "desmonte de imediato a chamada arquitetura financeira internacional" e disse que instituições regionais - como o Banco do Sul e o Banco da Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) - é que precisam financiar o desenvolvimento dos países emergentes.

O venezuelano afirmou que está disposto a fazer um acordo com os países da Opep para criar agora um "Banco Petrolífero Internacional".

"Se a Opep não quiser criar um banco da Opep, bom, então procuraremos dois ou três países entre os grandes produtores de petróleo para que formemos então um Banco Petrolífero Internacional, um banco do Sul, dos países produtores de petróleo", afirmou Chávez.

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