Após intervenção no Banco Federal, acionista da rede opositora de TV, governo deve nomear representante para dirigir emissora

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, anunciou nesta terça-feira que seu governo terá um representante na principal emissora de TV de oposição no país, podendo assumir até quase a metade das ações do canal.

A medida é fruto da intervenção do governo, há pouco mais de um mês, no Banco Federal, de propriedade do banqueiro Nelson Mezerhane, um dos principais acionistas do canal de TV oposicionista Globovisión.

Com a intervenção no banco, que segundo as autoridades venezuelanas apresentou problemas de liquidez e não podia garantir os depósitos de seus clientes, o governo passou a ser o dono das ações de Mezerhane também na Globovisión.

"(Nelson) Mezerhane tem uma empresa que foi confiscada, que tem 20% das ações da Globovisión, e outra empresa que tem 5,8% (...). Nos próximos dias, a junta de intervenção do Banco Federal está obrigada a designar um representante para a junta diretiva da Globovisión", afirmou Chávez, em um ato público com policiais, em Caracas.

"Com 25,8%, isso dá o direito (ao governo) a nomear um representante", acrescentou. "Não estamos expropriando, estamos nos incorporando ao negócio", afirmou o presidente venezuelano.

Ações

Chávez explicou ainda que o governo poderá recuperar outros 20% das ações do canal que, segundo ele, foram outorgadas pelo Estado a um diretor da emissora que já morreu. Com a medida, o governo poderá obter quase a metade das ações do principal canal opositor do país.

"Segundo a lei, essas concessões não são hereditárias", disse. "Somamos 28,5% mais 20%, são 48,5%, compadre, 48,5% da Globovisión", afirmou Chávez.

A disputa entre o governo e a Globovisión, que se arrasta desde abril de 2002, quando o canal foi acusado de participar do fracassado golpe de Estado contra Chávez, ganhou força neste ano, quando o Ministério Público venezuelano emitiu uma ordem de proibição de saída do país a Guillermo Zuloága, presidente e principal acionista da Globovisión, que está foragido.

O empresário é acusado pelo MP por "usura" e por "estocar" carros em sua residência para, em seguida, revendê-los com preços mais altos. Chávez indicou ainda que dois apresentadores do canal estatal venezuelano podem ser os novos integrantes da direção do canal opositor.

Imprensa na mira

Em seu discurso, o presidente venezuelano voltou a criticar a Igreja venezuelana, especialmente o arcebispo de Caracas, cardeal Jorge Urosa Savino, que lamentou recentemente o rumo que o governo está tomando. Chávez ameaçou revogar a concessão da emissora Vale TV, que foi entregue à Igreja venezuelana antes de sua chegada ao poder e que deve, segundo Chávez, "retornar ao povo".

Segundo Chávez, o ex-chefe de Estado venezuelano Rafael Caldera "violando um conjunto de procedimentos, entregou à hierarquia eclesiástica um canal de televisão". "E agora eu digo que revisemos isto e coloquemos esse canal sob a ordem do povo, das comunidades. Que seja do povo e não do cardeal".

Em 2007, o governo venezuelano revogou a concessão da rede RCTV, uma das mais populares do país, cujos diretores foram acusados de golpistas.

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