Caracas, 15 mai (EFE) - O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, desafiou hoje seu colega da Colômbia, Álvaro Uribe, a protestar contra seu Governo e o da França, como fez com o Equador, já que Caracas e Paris persistirão em diálogos com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). Eu poderia pensar que quer se meter com o menor país, desafiante pelo apoio dos Estados Unidos (...

); gosta de enfrentar o Equador.

Por que não protesta contra o presidente francês, Nicolas Sarkozy? É bom? Proteste, então", ameaçou o chefe de Estado venezuelano em entrevista coletiva com correspondentes estrangeiros em Caracas.

Chávez se referiu assim a um comunicado lido na quinta-feira pelo chanceler colombiano, Fernando Araújo, que qualificou de "inaceitáveis" os contatos das autoridades do Equador com as Farc para conseguir a libertação da ex-candidata presidencial Ingrid Betancourt, seqüestrada pela guerrilha.

O Executivo colombiano exigiu "explicações pertinentes" ao Governo do presidente equatoriano, Rafael Correa, que assegurou na Europa que uma tentativa anterior para a libertação de Betancourt "foi frustrada" por culpa do Governo de Uribe.

No protesto enviado a Quito, Araújo acrescentou que declarações feitas em Paris por Astrid Betancourt, irmã da ex-candidata presidencial seqüestrada, revelam os contatos de emissários do Equador com esse grupo insurgente colombiano.

"Mande-me uma nota de protesto de uma vez, porque eu digo o mesmo: vamos continuar buscando esses contatos. Mande-me, espero se seu Governo tem seriedade".

Caso contrário, será "um simples ato de valentia de quem se sente apoiado pelo império (EUA)", acrescentou o governante venezuelano.

"Queria ver você sem o apoio do império; acho que se não estivesse no poder, há tempos teria saído e pela porta de trás", disse a Uribe, a que qualificou de líder da "narco-parapolítica", em alusão ao escândalo por vínculos de políticos com o tráfico de drogas e os paramilitares.

Segundo Chávez, da mesma forma que o ministro de Defesa colombiano , Juan Manuel Santos, Uribe "gosta de se meter com os menores".

Também afirmou que seus "amigos militares colombianos" pediram "que faça algo" pela libertação dessas pessoas (os seqüestrados), "porque nosso Governo não quer fazê-lo", ressaltou.

"O tema aqui é que o Governo da Colômbia, subordinado como está à política belicista do império americano, não quer nenhum tipo de acordo humanitário", repetiu Chávez e insistiu em que, da mesma forma que com a França, os parentes dos seqüestrados "contam conosco".

Segundo Chávez, Uribe "já não é só uma ameaça para a Venezuela, é uma ameaça para o subcontinente; se transformou em uma bomba ativa que poderia levar esta parte do mundo a uma guerra".

Uribe, prosseguiu, "definitivamente não quer" a libertação dessas pessoas, "e acho que não quer porque (o presidente dos Estados Unidos, George W.) Bush não quer, já que isso é o Governo da Colômbia: um subordinado aos mandatos do Governo dos Estados Unidos".

Sobre o ministro de Defesa colombiano, ao qual chamou de "filhote do império", Chávez lembrou que em discurso em Washington, em 7 de maio, este criticou, "com um cinismo sem limites, dos processos de mudança no continente" e os chamou de "espectros". EFE ar/db

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