Chávez delega funções a vice antes de viajar para Cuba

Presidente da Vezezuela fará tratamento contra o câncer fora do país e repassou responsabilidades pela primeira vez em 12 anos

BBC Brasil |

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O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, delegou parte de suas funções ao vice-presidente do país, Elias Jaua, horas antes de viajar a Cuba, onde será submetido à segunda fase do tratamento contra o câncer . Essa é a primeira vez, em 12 anos de governo, que Chávez se vê obrigado a delegar parte das funções da presidência.

Jaua, que esteve à frente do governo durante o primeiro período de ausência de Chávez, terá o poder de dar continuidade à política de expropriações de terras e indústrias, alterar orçamentos ministeriais, nomear ou suspender funcionários públicos e redefinir as diretrizes das comissões presidenciais, caso seja necessário. O presidente também deu autonomia ao ministro de Economia, Jorge Giordani, para promover mudanças no campo econômico. "Esse é o Chávez delegando", afirmou o presidente, em cadeia nacional de radio e TV.

Chávez anunciou na sexta-feira que viajaria a Cuba para dar continuidade ao tratamento, o que inclui sessões de quimioterapia . Há 12 anos no poder, Chavez foi submetido a uma cirurgia de emergência em Cuba para retirada de um tumor na região pélvica. O governo guarda segredo sobre a gravidade da doença e o local onde o tumor se alojara.

Núcleo esquerdista
Jaua – um dos homens de confiança do presidente – e Giordani são vistos como representantes do núcleo esquerdista do "chavismo", cujo poder também é disputado pelo grupo militar-nacionalista e pela chamada "direita-endógena", que aposta em propostas reformistas como centro das ações políticas do governo.

"Vou delegar ao vice-presidente Elias Jaua e ao vice-presidente (da área econômica) Jorge Giordani algumas decisões que até agora me correspondiam, assinaturas, decisões", disse Chávez. As demais funções e decisões fora do âmbito econômico e além das especificamente destinadas ao vice terão de passar pela autorização do presidente, que mostrou uma assinatura eletrônica com a qual, segundo ele, responderá a e-mails de seus ministros e aprovará mudanças e orçamentos.

Enquanto dava instruções ao gabinete ministerial, o Parlamento aprovou por unanimidade a autorização para a viagem do presidente a Cuba. A oposição fez críticas, alegando que Chávez não pode continuar governando a partir de Havana, devendo entregar todas as suas funções ao vice. A Constituição venezuelana determina que, com prévia autorização do Parlamento, o presidente pode se ausentar do poder por até 90 dias, com possibilidade de prorrogação, sem abandonar o cargo.

'Direção coletiva'
Criticado por seu estilo centralizador, Chávez começou a fazer um mea culpa no início desta semana, quando disse que começaria a promover a "direção coletiva da revolução" e passaria a delegar mais responsabilidades a seus colaboradores. Chávez não disse por quanto tempo se ausentará do país, e afirmou ter certeza de que voltará melhor do que está agora. "Espero que não seja um prazo muito longo, devo regressar logo. Tenho certeza que será assim", afirmou. "Me declaro feliz de alma, otimista. Nunca antes amei tanto a vida como agora", afirmou Chávez na cadeia de ràdio e TV. Na véspera, durante visita do presidente eleito do Peru Ollanta Humala, foram visíveis as expressões de dor de Chávez, quando ele se esforçou para descer alguns degraus do Palácio do Governo. Por duas vezes ele buscou apoio em Humala e na mulher do presidente eleito para poder descer e subir as escadas.

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