Chávez defende entrada do Brasil na Opep

Lisboa, 18 jun (EFE).- O chefe de Estado venezuelano, Hugo Chávez, defendeu a entrada do Brasil na Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), e elogiou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em entrevista concedida ao governante português Mário Soares e transmitida hoje pela televisão estatal portuguesa.

EFE |

Na entrevista, Chávez também elogiou os regimes progressistas de Argentina, Uruguai, Paraguai, Bolívia, Equador, Peru e Nicarágua.

O chefe de Estado venezuelano se definiu como um "cristão socialista" que converteu sua filosofia ao líder cubano, Fidel Castro, em entrevista na qual pediu à Europa mais compreensão para a América Latina.

"Tornei Fidel cristão...há pouco dizia-me: Está bem, Chávez, eu sou cristão no social", disse o chefe de Estado venezuelano na entrevista realizada em Caracas pelo ex-presidente português.

Chávez, que destacou em sua formação a religião cristã, disse que, para ele, "Cristo é o mais sublime".

O dirigente venezuelano atribuiu a Deus e ao povo seu retorno ao poder após o golpe que derrubou-o em 2002 e do qual responsabilizou os Estados Unidos, e destacou sua formação de "militar socialista" e lutador da democracia.

Chávez também pediu de novo às Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) que libertem seus reféns, e se ofereceu a participar em um "grupo de fiadores" que ajude a conseguir a paz na Colômbia, um país sobre o qual os EUA, afirmou, exercem uma influência "muito forte".

O governante venezuelano criticou também o "bushismo" -em referência ao presidente dos Estados Unidos, George W. Bush- e sua "pretensão de impor a ponta de tiros de canhão uma visão ao mundo".

Além disso, defendeu a troca entre as nações latino-americanas como fórmula para combater a crise econômica e ressaltou que seu país, entre outras transações sem dinheiro, troca petróleo por "vacas grávidas" e software uruguaio ou por tratores argentinos, dos quais destacou a qualidade, e ar condicionado.

Também ressaltou o trabalho das instituições de concessão de crédito internacionais apadrinhadas por Caracas sob o ideal bolivariano e criticou o papel do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial (BM).

Soares, que liderou o partido socialista português e foi várias vezes primeiro-ministro e presidente de Portugal entre 1976 e 1996, coincidiu nessa e outras questões com o chefe de Estado venezuelano.

Fora da tutela da potência americana, a América Latina tem agora grandes oportunidades de integração e um de seus eixos mais importantes é a energia, segundo Chávez. EFE ecs/db

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