CARACAS - O presidente da Venezuela Hugo Chávez afirmou nesta quarta-feira que o acordo militar entre os Estados Unidos e a Colômbia pode criar um conflito na América do Sul e criticou o presidente americano, Barack Obama, por não liderar uma missão de paz.


"Essas bases poderiam ser o início de uma guerra na América do Sul. Se trata dos 'yankees', a nação mais agressiva da história da humanidade", disse Chávez em entrevista coletiva com correspondentes estrangeiros.

"Queremos ajudar a encontrar o caminho da paz na Colômbia e aí está minha decepção com Obama, porque em vez de enviar mais soldados, mais munição, mais dólares (para combater a guerrilha), deveria retirar" suas tropas, afirmou.

O presidente venezuelano afirmou que, na Cúpula das Américas, em Trinidad e Tobago, Obama disse que os "Estados Unidos podem liderar a missão de paz na Colômbia".

"Este conflito não tem solução militar, é preciso buscar uma solução política, negociada. É isto que queremos, mas o Obama de Trinidad está desaparecendo na fumaça", lamentou Chávez. Para o líder venezuelano, "a política de agressões na América Latina é a mesma" do antecessor de Obama, George W. Bush.

Reuters
Chávez mostra uma das armas suecas
Chávez mostra uma das
armas suecas

Na conferência, o presidente também afirmou que as armas suecas de propriedade das Forças Armandas da Venezuela e apreendidas em um acampamento das Farc foram roubadas.

Segundo ele, os rebeldes conseguiram o material em um ataque à base naval venezuelana de Cararabo.

Chávez mostrou aos jornalistas uma ata de 1995, que relata como a guerrilha levou da base de Cararabo (que fica em Apure, Estado na fronteira com a Colômbia) "tudo o que estava no parque: munições, 18 fuzis automáticos leves e cinco lança-foguetes AT4".

O chefe de Estado também mostrou vários lança-foguetes do Exército nacional, novos e usados, explicou seu funcionamento e os comparou com as fotos dos dispositivos que as forças militares colombianas dizem ter apreendido com as Farc.

Segundo Chávez, a denúncia da Colômbia sobre a descoberta destas armas em poder das Farc é uma "manobra suja" para desviar a atenção do acordo negociado por Bogotá e Washington para o uso das bases militares em território colombiano pelo EUA.

Segundo Chávez, a intenção dessa "jogada astuta, dessa punhalada pelas costas" é "chantagear", "aplacar" o "protesto diplomático" pela "instalação de bases militares ianques (dos Estados Unidos)" na Colômbia, o que, "sem dúvida, é uma ameaça para a Venezuela".

(Com informações da EFE, AFP e Reuters)


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