Chávez cria governo paralelo em Caracas

O Parlamento venezuelano, dominado pelo presidente Hugo Chávez, aprovou a criação do cargo de chefe de governo de Caracas, criando uma espécie de governo paralelo à administração da capital, de oposição.

AFP |

A lei especial sobre a organização e o regime da capital venezuelana, aprovada nesta terça-feira, cria uma nova circunscripção, o Distrito Capital, que receberá bens e recursos destinados atualmente à prefeitura de Caracas.

A medida foi duramente criticada pelo atual prefeito da capital, Antonio Ledezma, e por toda a oposição.

"Estão designando uma autoridade para ofuscar a prefeitura metropolitana (...) O poder que estão dando ao presidente é uma competência exclusiva do povo", disse o deputado Ismael García, do partido de centro esquerda Podemos.

"Esta lei viola a Constituição (...) e seu resultado será que na Venezuela haverá um prefeito nomeado pelo presidente, em meio a outros prefeitos, eleitos pela população", destacou García.

Desde 2000, Caracas está dividida em cinco municípios, com seus respectivos prefeitos, e tem uma prefeitura metropolitana central, com competência sobre segurança, saúde e educação, entre outras.

Nas eleições regionais de novembre de 2008, a prefeitura metropolitana de Caracas foi conquistada pelo social democrata Antonio Ledezma, ficando com a oposição pela primeira vez desde sua criação.

Antes de entregar o poder a Ledezma, o prefeito metropolitano, Juan Barreto, transferiu para o Executivo a administração da polícia local e dos hospitais.

Esta semana, Ledezma pediu ao Conselho Nacional Eleitoral a realização de um referendo em Caracas sobre a nova a lei, e entrou com um recurso no Supremo Tribunal Eleitoral contra a medida.

Em março passado, Chávez fez aprovar uma reforma na Lei de Descentralização, criada há 20 anos, para retirar da oposição o controle de portos, aeroportos e estradas.

Com base nesta reforma, o Executivo assumiu o controle de diversas instalações nos Estados de Táchira, Zulia, Carabobo, Miranda e Nueva Esparta, governados pela oposição.

nn/LR

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