Chávez convoca cúpula para discutir crise alimentar e Bolívia

Por Patricia Rondón Espín CARACAS (Reuters) - O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, afirmou na terça-feira ter convocado uma cúpula extraordinária da Alternativa Bolivariana para as Américas (Alba) com o objetivo de discutir a crise mundial da falta de alimentos e os problemas internos da Bolívia.

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Pouco antes da chegada a Caracas do vice-presidente de Cuba, Carlos Lage, a Venezuela anunciou que os presidentes da Bolívia e da Nicarágua, Evo Morales e Daniel Ortega, respectivamente, desembarcariam na capital venezuelana dentro das próximas horas a fim de participarem da reunião surpresa.

Tanto a Bolívia quanto a Nicarágua fazem parte da Alba.

Durante a cerimônia de boas-vindas a Lage, Chávez somou sua voz às declarações dadas por Morales na véspera, durante um fórum indígena realizado na sede da Organização das Nações Unidas (ONU) em Nova York. Nesse encontro, o líder boliviano responsabilizou os biocombustíveis pela alta no preço dos alimentos e a fome no mundo.

'O mundo ingressou em uma crise alimentar', disse Chávez.

'É o modelo econômico, político e social do mundo que está em crise, o modelo capitalista', acrescentou.

O dirigente venezuelano, ideologicamente contrário aos EUA, afirma que os moradores das Américas devem unir-se para evitar que o governo norte-americano impeça o progresso da região.

Além disso, Chávez costuma dizer que sua 'revolução bolivariana' serve de exemplo para os países da América Latina.

De sua parte, Lage adotou uma postura semelhante à de seus aliados e responsabilizou os países industrializados pela alta no preço dos produtos alimentícios.

'Os países desenvolvidos propõem destinar cada vez mais alimentos à produção de combustíveis em um mundo no qual vivem 850 milhões de famintos. As sociedades desenvolvidas pretendem alimentar os automóveis dos ricos', disse o vice-presidente cubano.

O outro tema da reunião, cuja agenda só se conhece uma assinatura de acordos marcada para esta quarta-feira, é a situação interna da Bolívia, segundo disse Chávez na véspera.

O governo de Morales enfrenta uma grave polarização política, em meio à qual os partidários dele tentam concluir uma nova Constituição -- que seria submetida a dois referendos --, enquanto vários Departamentos promovem plebiscitos para decidir a respeito de sua autonomia.

'A Bolívia está a ponto de explodir. É o império quem deseja que a Bolívia exploda e é a direita fascista quem não deseja dialogar ou qualquer outra alternativa. Eles só querem a guerra com vistas a despacharem o presidente Morales', afirmou Chávez durante uma breve entrevista concedida a um canal público de TV.

O presidente venezuelano assegurou ainda que tinha conversado com os governos do Brasil, Argentina e Equador para tentar evitar uma 'explosão' da Bolívia, algo que, na opinião dele, era incentivado pelo 'imperialismo'.

'É a extrema direita fascista, apoiada pelo império, pela mão assassina do império', que alimenta a oposição ao projeto de Morales, disse Chávez.

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