Chávez consegue ajuda bilionária da China em troca de petróleo

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, acordou com a China o desembolso de US$ 20 bilhões para um plano de financiamento de grande volume e a longo prazo, em troca da garantia de fornecimento de petróleo ao país asiático.

EFE |

"A China fornecerá financiamento de US$ 20 bilhões para ajudar no desenvolvimento da Venezuela, em condições que em nada têm a ver com as condições leoninas de organismos multilaterais de crédito como o Fundo Monetário Internacional", ressaltou o presidente venezuelano.

O presidente chinês, Hu Jintao, por sua vez, teve que suspender sua visita ao Chile e à Venezuela, devido a um terremoto que causou mais de mil mortos em seu país na quarta-feira (17).

Chávez reiterou as condolências de seu país por essa tragédia, mas que isso não significava o adiamento dos acordos, revelou.

As autoridades venezuelanas assinaram os acordos com membros de uma delegação governamental enviada por Jintao a Caracas, liderada pelo ministro de Administração de Recursos Energéticos da China, Zhang Guobao.

Chávez destacou que os US$ 20 bilhões não têm comparação na política de cooperação durante os 60 de existência da República Popular da China, esclarecendo que "não tem a ver com o fundo" estipulado anteriormente e que significou a ajuda de Pequim a Caracas no valor de US$ 12 bilhões para financiar diversas obras.

Outros acordos assinados apontam para a garantia de energia elétrica na Venezuela, com a construção de usinas elétricas que gerarão um total de 1.400 megawatts, com o uso do resíduo de petróleo venezuelano chamado "coque".

Chávez lembrou que a Venezuela já envia à China cerca de 500 mil barris diários de petróleo que, graças à assinatura hoje de um acordo adicional para a criação de uma empresa mista binacional que operará na Faixa do Orinoco, serão acrescentados outros 400 mil barris.

"Todo o petróleo que a China possa precisar para se consolidar como uma grande potência está aqui", disse. E previu que o país asiático se transformará "na primeira grande potência mundial".

"E isso é muito bom para o mundo, porque a China veio se tornando uma grande potência sem atropelar ninguém, sem invadir ninguém, sem bloquear ninguém, sem atropelar povos, sem impor suas condições leoninas, sem violar a soberania de nenhum povo", destacou.

Nesse contexto, Chávez destacou que os convênios assinados entre Caracas e Pequim foram negociados "em pé de igualdade e respeitando o interesse comum de ambas as nações", e se somam "à rede a cada dia mas ampla, sólida e extensa de relações e cooperação que deu forma a uma aliança estratégica de alto interesse".

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