Chávez completa 10 anos no poder com aspirações de reeleição ilimitada

Esther Borrell. Caracas, 20 dez (EFE).- O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, completa uma década no poder após um ano marcado por tensões em relações exteriores, especialmente com a Colômbia, e por um leve retrocesso em sua aspiração à reeleição por tempo ilimitado.

EFE |

"Virão dez anos mais de período revolucionário", afirmou Chávez no último dia 6, ao celebrar o décimo aniversário das eleições de 1998, que outorgaram ao líder seu primeiro mandato presidencial, assumido em fevereiro de 1999.

Uma semana antes da declaração, no fim de novembro, o presidente venezuelano ordenou a seus partidários que apoiassem uma emenda constitucional que, caso seja aprovada em referendo, permitirá a Chávez se apresentar a um novo mandato dentro de quatro anos, ao término de seu atual período à frente do Governo.

Chávez fez o anúncio de maneira surpreendente, quando os venezuelanos ainda tiravam conclusões do pleito regional de 23 de novembro que deu a vitória ao governista Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), embora a oposição tenha conquistado triunfos nos principais estados do país.

Os resultados das eleições locais constituíam, na opinião dos analistas, um alerta de que os adversários do "chavismo" consolidavam sua presença em núcleos importantes, enquanto o Governo, apesar de vitorioso, experimentava um retrocesso que o presidente tinha de levar em conta visando a futuras aspirações.

Ainda de acordo com analistas, Chávez necessitava de uma vitória mais ampla por parte de seus candidatos para seguir adiante com a idéia de impulsionar novamente a possibilidade da reeleição para além de dois mandatos, proposta já incluída na reforma constitucional que foi rejeitada em referendo em dezembro de 2007.

"Eu estarei aqui até que Deus queira e o povo mande" e "vamos celebrar esse Natal em campanha pela emenda e com os lemas 'Uh, ah, Feliz Navidad (Feliz Natal)!; uh, ah, Chávez no se va (Chávez não sairá)!", proclamou o governante em seu discurso no último dia 6.

"Não, presidente, 14 anos são suficientes", expressaram, por sua vez, os partidos da oposição em comunicado no qual condenaram as "ambições ilimitadas de poder" atribuídas a Chávez, que já se proclamou "pré-candidato" às eleições gerais de dezembro de 2012.

Segundo meios de comunicação ligados à oposição, a repentina ofensiva de Chávez em busca da possibilidade de reeleição se deve a uma estratégia para que o referendo - anunciado para o primeiro trimestre de 2009 - seja realizado antes que a crise econômica mundial afete o país, sobretudo pela queda do preço do petróleo.

Chávez recuperou na segunda metade de 2008 um índice de popularidade em torno de 60%, após uma forte queda no começo do ano, coincidindo com graves problemas de abastecimento de alimentos entre os venezuelanos e sua derrota no referendo.

O presidente iniciou 2008 tendo de lidar com as conseqüências do "não" dito pelos eleitores na consulta popular a sua proposta de reforma constitucional, e em meio a uma séria crise com a Colômbia.

As agitadas relações entre Caracas e Bogotá, com relação ao conflito envolvendo os reféns das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), chegaram à beira do colapso em março, quando Chávez ordenou a retirada de seu embaixador na capital colombiana e a mobilização de tropas rumo à fronteira comum.

A crise teve início após um ataque colombiano a um acampamento das Farc em território equatoriano. A ação deixou vários guerrilheiros mortos, incluindo Raúl Reyes, porta-voz e considerado o "número dois" na hierarquia da organização.

Chávez e o governante colombiano, Álvaro Uribe, conseguiram nos meses seguintes encontrar um caminho de reconciliação, até darem por liquidada a crise em um encontro em julho na Venezuela.

Até o momento, no entanto, o Governo venezuelano segue sem ter um embaixador em Bogotá, como ocorre em Washington desde setembro último, quando Chávez ordenou a retirada de seu representante diplomático na capital americana ao mesmo tempo em que expulsava o embaixador dos Estados Unidos em seu país.

A chegada à Presidência americana do democrata Barack Obama, após vitória nas eleições gerais realizadas em novembro, abriu novas perspectivas para as relações entre Caracas e Washington.

Chávez foi um dos primeiros a parabenizar Obama por seu triunfo eleitoral. O líder venezuelano já afirmou várias vezes que espera uma grande relação com a nova Administração americana, com a saída de George W. Bush. EFE eb/fr

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