Caracas, 4 fev (EFE).- O presidente venezuelano, Hugo Chávez, afirmou hoje que o socialismo ressuscitou na Venezuela com o povo e o espada do herói independentista Simón Bolívar e previu que esse sistema de liberdade e igualdade estará consolidado no país em 20 anos.

No ato comemorativo do 18º aniversário do fracassado golpe militar que liderou em 4 de fevereiro de 1992, Chávez reiterou que sua "revolução" vencerá as supostas tentativas do "império", como chama os Estados Unidos, e da "burguesia apátrida" nacional de freá-la.

"Preparemo-nos para os próximos 20 anos de luta e de batalha", durante os quais, segundo o líder, só deve haver triunfos sobre as pretensões opositoras de frear o processo de mudanças socialistas.

Os "revolucionários" de hoje estão "obrigados a derrotar a herança maldita que deu, quase sempre, a vitória aos traidores, à burguesia apátrida e aos impérios que saquearam e dominaram" o país, afirmou Chávez em um enérgico discurso transmitido em rede nacional obrigatória de rádio e televisão.

"Os próximos 20 anos serão de grandes batalhas e de grandes vitórias", disse o presidente venezuelano diante de ministros de seu Governo e militares reunidos para a ocasião.

"A pátria venezuelana ou é socialista, ou não é pátria, ou é bolivariana, ou não é pátria", acrescentou Chávez, que chamou o dia 4 de fevereiro de 1992, data na qual tentou derrubar o então presidente Carlos Andrés Pérez, como o "dia da dignidade nacional".

Chávez argumentou que pegou em armas junto a um grupo de oficiais para acabar com o "saque" do qual a Venezuela era vítima pelas mãos dos social-democratas e democrata-cristãos, o que pagou com dois anos de prisão.

Agora, quando se encontra em pleno desenvolvimento o processo de mudanças que começou há uma década, a "burguesia sem pátria", representada nos estudantes opositores, continua tentando frear o avanço "revolucionário", afirmou o presidente da Venezuela.

"Estes quatro filhinhos de papai, da burguesia, empurrados pelo imperialismo, (estão) tentando derrubar este Governo. Continuem tentando, nunca vão conseguir", assegurou Chávez.

Mais uma vez, Chávez alertou que se a oposição tentar tirá-lo do poder pela força, a única resposta será uma "radicalização" da "revolução".

Enquanto Chávez discursava, grupos de estudantes opositores que pretendiam seguir em uma manifestação até a sede da Assembleia Nacional (AN) eram dispersados pela Polícia Metropolitana (PM) com água e bombas de gás lacrimogêneo na praça Venezuela, no centro de Caracas.

Os estudantes foram repelidos porque não tinham permissão para percorrer o trajeto do protesto, disse a jornalistas o chefe da PM, Carlos Meza.

O grupo de estudantes se reuniu na praça de Chacaíto, no leste de Caracas, com a intenção de caminhar até o Legislativo, mas foram barrados por policiais.

Os estudantes pretendiam entregar um documento na AN com sua posição frente aos "graves problemas" do país, como a crise no fornecimento de energia e a falta de segurança, disseram seus porta-vozes.

Segundo a imprensa local, os estudantes deixaram a praça de Chacaíto, onde se concentraram, mas alguns seguiram posteriormente rumo à praça Venezuela, de onde partiu nesta manhã uma manifestação governista em apoio a Chávez, e lá foram dispersados pela Polícia.

"Isto é um corrida longa e e não vamos hesitar em nossos objetivos. Não sei quais são as políticas do Governo para combater a falta de segurança, mas temos propostas. Não vão nos tirar a vontade nem o direito de palavra perante a Assembleia Nacional", disse à rede de televisão "Globovisión" o dirigente estudantil Roderick Navarro.

Os líderes estudantis insistiram em que manterão sua presença "pacífica", mas "ativa", nas ruas para expressar sua visão do país e as propostas que têm para superar seus problemas sociais. EFE gf/bba

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.