Caracas, 2 fev (EFE).- Os dirigentes da Alternativa Bolivariana para as Américas (Alba) e o presidente do Equador, Rafael Correa, acompanharam hoje o líder venezuelano, Hugo Chávez, em um grande ato em Caracas, debaixo de uma forte chuva, por ocasião da comemoração dos dez anos no governante da Venezuela no poder.

Os presidentes da Bolívia, Evo Morales; da Nicarágua, Daniel Ortega, e de Honduras, Manuel Zelaya, junto com o primeiro-ministro de Dominica, Roosevelt Skerrit, e o vice-presidente cubano, José Ramón Machado, além de Correa, gritaram "vivas" a Chávez e à sua revolução a partir de uma tribuna ao ar livre.

O ato, retransmitido em cadeia nacional obrigatória de rádio e televisão, transcorreu no Paseo de los Próceres, inundado por uma multidão de partidários do presidente venezuelano, vestidos de vermelho, e por uma persistente chuva.

Com as camisas molhadas, os governantes, que chegaram ao ato em um veículo descoberto e cumprimentando as centenas de pessoas presentes, se revezaram na tribuna para homenagear o anfitrião, que proclamou que "hoje começa o terceiro período da revolução bolivariana na Venezuela".

Machado transmitiu à multidão as saudações de Fidel Castro e do presidente de Cuba, Raúl Castro, e afirmou que, há pouco tempo, a Revolução Cubana "completou 50 anos de resistência".

"A revolução bolivariana hoje completa dez anos, e também fará 50" pelo "mandato" do povo, acrescentou.

Zelaya, com seu habitual chapéu que, nesta ocasião, parecia protegê-lo do temporal, qualificou o dia como "o momento mais histórico da história da Venezuela", e estimulou os presentes a "nunca deixarem de lutar".

O presidente de Honduras disse que veio "acompanhar uma revolução pela justiça e pela paz", antes de acrescentar que "Deus abençoe a Venezuela, seu líder e seu povo".

Por sua vez, Morales, Ortega, Correa e Skerrit se somaram às saudações para comemorar o aniversário e felicitar o povo venezuelano pelos dez anos "de revolução".

"Que viva a unidade dos povos, a Alba, a revolução bolivariana (...) que nem se vence nem se rende jamais", manifestou Ortega.

"O povo venezuelano tem 200 anos resistindo (...) resistiram a 20 pés d'água, e aqui está o povo", afirmou, por sua vez, Chávez, em referência à forte chuva que não parou de cair hoje em Caracas.

O presidente venezuelano, que cumprimentou Fidel a partir da tribuna, afirmou também que "o mar do povo não fez mais que crescer, não só na Venezuela, mas transbordou por toda a América Latina".

"Não só se completam dez anos do início do Governo revolucionário na Venezuela, mas do início de uma nova época na América Latina e no Caribe, do início de um novo dia", ressaltou Chávez, em meio aos gritos de aprovação dos presentes.

"Um novo mapa político, econômico e geopolítico desponta na América Latina e no Caribe", disse, antes de assegurar que há dez anos a América Latina estava "completamente atrelada aos mandatos do império americano".

"A América Latina já não é o quintal (...) hoje se libertou do jugo imperialista (...). A cada dia que passa, será mais livre e estaremos com mais força construindo a pátria nova", destacou no discurso.

"Só unidos poderemos derrotar o imperialismo, o subdesenvolvimento, e isso merece atenção especial hoje (...). A Alba já não é só uma alternativa (...), se transformou em uma verdadeira aliança bolivariana de nossos povos", disse Chávez, ao lado dos parceiros no grupo e de Correa.

Ele afirmou ainda que, nesta manhã, recebeu a ligação do presidente do Paraguai, Fernando Lugo, parabenizando-o e expressando seu desejo de "se aproximar da aliança bolivariana".

Chávez, que deseja concorrer a um terceiro mandato em 2012, reiterou ainda que prevê "outros dez anos" de revolução, e advertiu de que "esta é uma revolução pacífica, mas também é uma revolução armada que se defende de qualquer agressão externa ou interna".

"Em 15 de fevereiro, o povo venezuelano escreverá outra página" de história, afirmou o presidente, em alusão ao referendo sobre a emenda constitucional que, se for aprovada, abrirá as portas a concorrer ao terceiro mandato à frente do país. EFE eb/db

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