Chávez chega à Unasul e culpa EUA por crise na Bolívia

SANTIAGO - O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, voltou a acusar os Estados Unidos de tramar a queda do presidente boliviano Evo Morales, ao chegar na segunda-feira ao Chile para uma reunião de emergência entre líderes sul-americanos pela crise na Bolívia.

Redação com Reuters |

Chávez ordenou na semana passada a expulsão do embaixador norte-americano em Caracas, em solidariedade a Morales, aliado próximo do venezuelano, em meio a uma profunda crise política no país mais pobre da América do Sul.

"Estão tentando derrubar o presidente Evo Morales e a conspiração foi elaborada e apoiada pelo império dos Estados Unidos", disse Chávez a jornalistas no aeroporto internacional de Santiago.

"Aqui estamos os presidentes dos governos da União de Nações Sul-Americanas para discutir, debater e ouvir o presidente Morales e para tomar decisões de apoio à democracia boliviana e à estabilidade na Bolívia", acrescentou.

Visões conflitantes

A influência ou não dos EUA na crise boliviana deve ser um dos temas mais polêmicos do encontro no Chile.

Enquanto o Brasil defende uma postura neutra em relação ao possível papel americano, a própria Bolívia e a Venezuela culpam, ao menos em parte, os americanos pela atual crise.

Na quinta-feira os governos da Bolívia e Venezuela expulsaram os embaixadores norte-americanos de seus países.

Ao chegar a Santiago de Chile, na tarde desta segunda-feira, Chávez voltou a acusar os EUA de terem participação na crise boliviana.

"Na Bolívia há uma conspiração dirigida pelo império norte-americano para derrocar a Evo Morales."

Outro ponto delicado no debate deve ser sobre o papel dos países vizinhos no conflito interno da Bolívia.

No domingo, Chávez voltou a dizer que não ficará "de braços cruzados" diante de um golpe de Estado na Bolívia e advertiu que poderia ajudar a uma "insurreição armada" para restabelecer o governo de Morales.

Já no Chile, ele disse que os países da Unasul devem tomar uma decisão para "defender a democracia e a paz na Bolívia".

Essa posição também vai de encontro à posição brasileira, que é de não ingerência nos assuntos internos de outras nações.

Além da anfitriã Bachelet, participarão do encontro nove presidentes da região, entre eles Lula, Cristina Kirchner(Argentina), Hugo Chávez (Venezuela), Álvaro Uribe (Colômbia) e Rafael Correa (Equador). O presidente da Bolívia, Evo Morales, também confirmou sua presença.


Mapa político da Bolívia

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