Manágua - O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, chegou hoje à Nicarágua para participar da reunião urgente da Aliança Bolivariana para as Américas (Alba), e adiantou que fará o que tiver que fazer para restituir Manuel Zelaya na Presidência de Honduras, porque não vai permitir mais gorilas neste continente.

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  • Chávez, que foi recebido no aeroporto internacional de Manágua por seu colega da Nicarágua, Daniel Ortega, e sua esposa Rosario Murillo, assinalou que as ações a serem tomadas serão "para que se respeitem os direitos humanos, a vida do povo de Honduras e para evitar uma tragédia" nesse país centro-americano.

    Entre essas "coisas", Chávez mencionou pressões de tipo político, diplomático e social, assim como apoio moral para restituir Zelaya na Presidência de Honduras.

    "Não vamos permitir mais gorilas neste continente", advertiu o presidente venezuelano, que reafirmou sua solidariedade a Zelaya.

    Estão previstas para Manágua reuniões de presidentes da Alba, do Sistema da Integração Centro-Americana (Sica) e do Grupo do Rio para tratar sobre a crise em Honduras e ajudar Zelaya, que também vai participar e já está a rumo da Nicarágua, a ser restituído no cargo.

    Expulsão

    Neste domingo, o presidente do Congresso de Honduras, Roberto Micheletti, foi designado pelo Parlamento à presidência do país no lugar de Manuel Zelaya, preso e expulso para a Costa Rica pelos militares. Uma de suas primeiras medidas foi decretar um toque de recolher no país por 48 horas.

    Micheletti, até hoje presidente do Congresso, assegurou que receberia "com muito gosto" Zelaya se ele então desejar retornar, mas sem o apoio do governante da Venezuela, Hugo Chávez.

    Reuters
    Manuel Zelaya

    O Congresso decidiu por unanimidade "desautorizar" Zelaya devido a sua "conduta claramente irregular", às suas "repetidas violações da Constituição e das leis" e a seu "desrespeito das resoluções e decisões dos órgãos institucionais".

    Em consequência, decidiu "lhe retirar o cargo de presidente da República de Honduras" e nomear em seu lugar o presidente do Congresso, Roberto Micheletti, até o dia 27 de janeiro de 2010, quando expira o mandato de Zelaya.

    Eleito para um mandato de quatro anos não renovável, Zelaya tinha convocado neste domingo uma consulta popular, considerada ilegal pela Corte Suprema, para emendar a Constituição e poder disputar um segundo mandato no dia 29 de novembro.

    O golpe

    O presidente de Honduras, Manuel Zelaya, foi detido neste domingo pelo Exército antes da realização de um polêmico referendo no País. Ele foi levado por soldados a uma base aérea próxima à residência presidencial e enviado para a Costa Rica.

    O Poder Judiciário de Honduras respaldou a ação das Forças Armadas de deter e deportar Zelaya. Fora das fronteiras do País, no entanto, o chefe de Estado recebeu um forte apoio da comunidade internacional, que condenou a deposição do líder.

    Em San José, capital da Costa Rica, onde se encontra como "hóspede", Zelaya anunciou sua intenção de terminar seu mandato e negou em declarações à emissora "CNN" em espanhol ser o autor de uma carta de renúncia lida hoje no Congresso hondurenho e aceita por seus membros, reunidos em sessão extraordinária.

    "Nunca renunciei e nunca vou utilizar esse mecanismo", disse o chefe de Estado.

    "O que estou deduzindo agora é que não é um golpe militar, é uma conspiração" político-militar contra a democracia, assegurou Zelaya.

    O Brasil

    O Governo brasileiro condenou "de forma veemente" o golpe de Estado que tirou o presidente José Manuel Zelaya do poder e pediu que ele seja reposto, em comunicado divulgado no início desta tarde. "Ações militares desse tipo configuram atentado à democracia e não condizem com o desenvolvimento político da região", afirma a nota.

    Reação

    Em uma reunião de emergência em Washington, a Organização dos Estados Americanos (OEA) condenou o que chamou de "golpe de Estado" em Honduras.

    A OEA se havia dito preocupada com as consequências que um enfrentamento entre os diferentes poderes poderia ter sobre "o processo político institucional democrático e o exercício legítimo do poder".

    O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, pediu a Honduras que "respeite as normas democráticas e o Estado de direito". A prisão de Zelaya também foi condenada pela União Européia.

    O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, aliado político de Zelaya, acusou o "império ianque" pela derrubada do presidente hondurenho.

    Com informações da Reuters, BBC Brasil, EFE e AFP

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