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Chávez chama EUA de estúpidos por criticarem compras de armas

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, classificou os norte-americanos de estúpidos nesta quinta-feira, após uma autoridade dos Estados Unidos ter expressado preocupação sobre as recentes aquisições de armas feitas pelo governo venezuelano. Estão preocupados nos Estados Unidos porque a Venezuela está comprando não sei quantas armas e está se armando para agredir não sei quem.

BBC Brasil |

Não sejam estúpidos, ianques!", disse Chávez em cerimônia de recebimento da primeira de oito embarcações militares adquiridas da Espanha.

"O que resta para lhes dizer é isso. Ou será que acham que nós somos estúpidos?", acrescentou.

Na véspera, o subsecretário norte-americano de Estado para a América Latina, Arturo Valenzuela, insinuou, em visita à Colômbia, que estaria preocupado com as aquisições venezuelanas e com uma suposta corrida armamentista na região.

Chávez disse que os EUA "não têm moral para questionar o reaparelhamento militar de seu país".

"Quem nos acusa de armamentismo? Se somamos o gasto militar de todos os países do mundo ainda ficaria abaixo do gasto militar dos Estados Unidos e eles vêm com que moral dizer que estão preocupados porque a Venezuela está se equipando?", disse.

O presidente venezuelano afirmou ainda que seu governo continuará equipando seu sistema de defesa até deixá-lo em um "nível operacional".

Acordo
A reação dos EUA, seguida dos governos da Colômbia e Peru, ocorre depois do primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, ter afirmado, na última segunda-feira, que a Rússia teria vendido mais de US$ 5 bilhões (cerca de R$ 8,8 bi) em armas para a Venezuela.

Durante o encontro entre Chávez e Putin, na semana passada, no entanto, não foi anunciado nenhuma nova aquisição militar equivalente a este total. Desde o ano passado, o governo venezuelano conta com uma linha de crédito de US$2,2 bilhões junto ao governo russo para compras militares.

A Rússia passou a ser o maior fornecedor de armamentos para a Venezuela quando os Estados Unidos impuseram um bloqueio proibindo a venda de armas ao país, impedindo, inclusive, a venda de 24 aviões Supertucanos da Embraer para as Forças Armadas venezuelanas.

Desde 2004, a Venezuela investiu mais de US$ 4 bilhões na compra de armamentos russos. A aliança, considerada estratégica pelo governo de Caracas, permitiu a compra de 24 aviões de combate Sukhoi-30, 53 helicópteros de transporte e ataque e 100 mil fuzis de assalto.

A defasagem dos equipamentos de defesa e o medo de uma agressão externa são os argumentos do governo da Venezuela, quinto maior exportador mundial de petróleo, para aumentar seus gastos militares.

O governo dos EUA já haviam criticado o os contratos de defesa firmados entre a Rússia e a Venezuela.

Após o anúncio de Putin, na segunda-feira, o porta-voz da Casa Branca, Philip Crowley, afirmou que o governo estava com "dificuldades para entender que necessidades de legítima defesa a Venezuela tem para ter esses equipamentos".

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